Por LEONARDO MELO, de Macapá (AP)
A Polícia Civil do Amapá deflagrou, nas primeiras horas da manhã desta terça-feira (30), a Operação Tarpeia para combater um esquema de comércio ilegal de armas e munições no estado. Segundo as investigações, o grupo contava com a participação de agentes de segurança pública que negociavam armamentos de forma clandestina. Ao todo, foram cumpridos mandados de prisão, busca e apreensão, além do afastamento de servidores públicos e da suspensão do porte de armas.
As investigações começaram após o desdobramento de outra operação realizada em julho de 2025. Com autorização da Justiça, a polícia teve acesso a conversas que mostraram como funcionava o esquema. Os investigados negociavam armas de diferentes calibres, munições e até discutiam formas de apagar ou alterar a numeração das armas para dificultar a identificação da origem do material.

Armas, munições, dinheiro, celulares e documentos foram apreendidos durante a operação. Fotos: divulgação
Entre os alvos está o primeiro-tenente da Polícia Militar, Aloísio França da Silva Júnior, de 42 anos, apontado como um dos principais fornecedores de armas para o grupo. Também foi preso Rodrigo Barros Fernandes, de 31 anos, suspeito de atuar como intermediador das negociações. Outros dois guardas civis municipais, Claudinei Mendes de Oliveira e José Walter de Andrade Junior, receberam monitoramento eletrônico e foram afastados dos cargos por suspeita de participação no esquema. Um deles ainda é investigado por registrar um boletim de ocorrência falso para esconder a venda ilegal de uma arma.
Os investigados podem responder por comércio ilegal de armas de fogo, associação criminosa armada e fraude processual. De acordo com a Polícia Civil, a operação reforça o compromisso da instituição em combater crimes envolvendo armas e também desvios de conduta praticados por agentes públicos.
O nome da operação faz referência à personagem Tarpeia, da mitologia romana, conhecida por trair a própria cidade. Segundo a Polícia Civil, a escolha simboliza a atuação de servidores que, em vez de proteger a população, são suspeitos de usar a função pública para abastecer o mercado clandestino de armas.
