Norte concentra maior vulnerabilidade ambiental para crianças, aponta UNICEF

Levantamento aponta sobreposição de problemas como poluição, falta de saneamento, moradias precárias e eventos climáticos extremos na região
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Por PEDRO PESSOA, de Belém (PA)

Um levantamento divulgado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), em parceria com a Vital Strategies, revela que a Região Norte concentra a maior sobreposição de vulnerabilidades ambientais e climáticas que afetam crianças e adolescentes no Brasil. O diagnóstico mostra que problemas como poluição do ar, falta de água tratada, saneamento precário, moradias inadequadas e eventos climáticos extremos se acumulam na região, ampliando os riscos para o desenvolvimento infantil.

O estudo analisou os 5.570 municípios brasileiros por meio de 14 indicadores organizados em quatro áreas temáticas: qualidade do ar, infraestrutura ambiental e urbana, eventos climáticos extremos e ambiente escolar. Ao todo, 333 municípios (6%) foram classificados com alta prioridade em pelo menos 10 dos 14 indicadores, enquanto apenas 108 cidades (1,9%) não apresentaram alta prioridade em nenhum deles.

Entre as regiões brasileiras, o Norte reúne o cenário mais preocupante. Dos 450 municípios analisados, a média é de nove indicadores classificados como de alta prioridade, e 42,4% das cidades acumulam dez ou mais vulnerabilidades simultaneamente.

Na qualidade do ar, 94% dos municípios da região aparecem com alta prioridade no indicador de poluição por partículas finas (PM2,5), situação associada principalmente à fumaça das queimadas. Também chamam atenção os índices relacionados ao saneamento: 60% dos municípios apresentam alta prioridade para acesso à água tratada, 78% para acesso à rede de abastecimento, 87% para coleta adequada de esgoto e 78% para coleta de lixo. O levantamento ainda aponta que 79% dos municípios registram alta prioridade em moradias precárias.

Crianças andam centenas de metros na lama para chegar ao ponto onde o barco consegue passar. Fotos: Arquivo

Os eventos climáticos extremos também pesam no diagnóstico. O Norte concentra alta prioridade em 91% dos municípios para chuvas intensas e em 60% para ondas de calor. Além disso, a região apresenta áreas afetadas por secas severas registradas nos últimos anos, especialmente na Amazônia.

Nas escolas, o estudo identificou que 71% dos municípios nortistas apresentam alta prioridade no indicador de unidades de ensino sem infraestrutura básica de saneamento, enquanto 23% registram deficiência de áreas verdes nos ambientes escolares.

Embora o Norte concentre a maior quantidade de vulnerabilidades simultâneas, o levantamento mostra que outras regiões enfrentam desafios específicos. No Nordeste, persistem déficits históricos de saneamento e infraestrutura escolar. O Centro-Oeste concentra os maiores índices de poluição associados ao transporte rodoviário e de ondas de calor. Já o Sudeste apresenta maior preocupação com a poluição atmosférica nas grandes áreas urbanas e com episódios recentes de seca, enquanto o Sul se destaca pela alta frequência de chuvas intensas.

Segundo o UNICEF, o painel foi desenvolvido para orientar gestores públicos na definição de prioridades para políticas voltadas à infância e à adolescência. Além de reunir os indicadores, a ferramenta disponibiliza recomendações para apoiar estados e municípios na redução das vulnerabilidades ambientais e climáticas que afetam crianças e adolescentes.

Seles Nafes
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