Por PEDRO PESSOA, de Belém (PA)
Dois homicídios registrados em um intervalo de apenas 48 horas, no bairro da Marambaia, em Belém, colocaram a Polícia Civil diante de um quebra-cabeça que pode ter a mesma peça central. As vítimas eram professores, tinham perfil semelhante, teriam recebido um homem pouco antes das mortes e foram encontradas com sinais de violência dentro de imóveis na mesma região da capital. As coincidências alimentaram a hipótese de um possível serial killer, mas a investigação ainda busca confirmar se os casos têm ligação.
O primeiro crime ocorreu no último domingo (5). O professor de biologia e veterinário Paulo Paiva, de 53 anos, foi encontrado morto dentro da própria residência, no Conjunto Médici. De acordo com as investigações, ele passou a noite anterior acompanhado de um homem. Imagens de câmeras de segurança registraram o visitante deixando o imóvel durante a madrugada, poucas horas antes de o corpo ser localizado.
Peritos da Polícia Científica realizaram a coleta de impressões digitais, vestígios biológicos e outros elementos que possam ajudar na identificação do suspeito e na reconstrução da dinâmica do crime.
Dois dias depois, na terça-feira (7), outro homicídio com características semelhantes foi registrado. O professor de Língua Portuguesa Augusto César Siqueira, de 55 anos, foi encontrado morto em uma quitinete alugada no Conjunto Médici II, também na Marambaia. Servidor público do município de Altamira, ele estava em Belém durante o período de férias.

Policia na residência da última vítima, também no bairro do Marambaia. Foto: Reprodução
Aplicativo de encontros
Segundo as investigações, testemunhas relataram que Augusto também havia recebido um homem pouco antes do crime. O corpo foi encontrado pela proprietária do imóvel, após ela estranhar a falta de resposta do hóspede. O laudo preliminar da Polícia Científica aponta que a vítima morreu após sofrer golpes provocados por um objeto contundente, principalmente na região da cabeça.
Além da proximidade entre os locais dos crimes, investigadores analisam outras semelhanças entre os casos. As duas vítimas eram homens, professores, tinham idades próximas, teriam marcado encontros por meio de um aplicativo de relacionamento voltado ao público LGBTQIAPN+ e receberam um visitante que deixou os imóveis antes de os corpos serem encontrados.
Apesar das coincidências, a Polícia Civil ainda não confirma que os homicídios tenham sido praticados pela mesma pessoa. O caso de Paulo Paiva é investigado pela Divisão de Homicídios, enquanto a morte de Augusto César está sob responsabilidade da Seccional Urbana da Marambaia. Em ambos os inquéritos, a polícia informou que diligências, perícias e oitivas de testemunhas seguem em andamento para esclarecer as circunstâncias dos crimes e identificar os autores.
