Unesco reconhece dois teatros da Amazônia como Patrimônio Mundial

Belém e Manaus passam a compartilhar um reconhecimento que reforça a relevância de sua herança arquitetônica e artística
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Por PEDRO PESSOA, de Belém (PA)

A Amazônia acaba de conquistar um espaço ainda maior no cenário cultural mundial. O Theatro da Paz, em Belém (PA), e o Teatro Amazonas, em Manaus (AM), foram reconhecidos nesta segunda-feira (27) como Patrimônio Mundial pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

A decisão marca um feito histórico: é a primeira vez que a Região Norte tem um bem inscrito na categoria de Patrimônio Mundial Cultural. O reconhecimento coloca em evidência a riqueza cultural da Amazônia e reforça a importância da região também pela arte, arquitetura e memória.

O Theatro da Paz une influência europeia e identidade amazônica em Belém. Foto: Pedro Pessoa

O Teatro Amazonas segue como um dos maiores símbolos culturais de Manaus. Foto: reprodução

Quem visita o Theatro da Paz logo percebe que a grandiosidade vai muito além da fachada. Escadarias em mármore italiano, lustres de cristal francês, pinturas que cobrem o teto e um piso formado por madeiras nobres da Amazônia revelam o encontro entre a sofisticação europeia e a identidade amazônica. Já o Teatro Amazonas, em Manaus, também reúne influências da arquitetura europeia combinadas a elementos da floresta, característica que pesou na candidatura aprovada pela Unesco.

Construídos durante o ciclo da borracha, no fim do século XIX, os dois teatros simbolizam um período em que a Amazônia viveu intensa efervescência econômica e cultural. Na época, recebiam companhias internacionais e ajudaram a inserir Belém e Manaus no circuito artístico mundial. Com o passar das décadas, deixaram de ser espaços voltados apenas à ópera e passaram a receber espetáculos de teatro, dança, música, cinema e manifestações populares, como o carimbó e o boi-bumbá.

A Região Norte alcança um reconhecimento inédito no cenário cultural global. Foto: Pedro Pessoa

Os dois edifícios foram erguidos durante o ciclo da borracha, no século XIX. Foto: Pedro Pessoa

O diretor do Theatro da Paz, Edyr Augusto Proença, destaca que o reconhecimento também chama a atenção do mundo para a singularidade desses espaços culturais.

“Em termos mundiais, você tem dois teatros operísticos em plena selva amazônica. Isso é muito diferente.”

Palcos históricos seguem abertos à ópera, ao carimbó, ao boi-bumbá e a outras expressões artísticas. Foto: Pedro Pessoa

Com a inclusão dos Teatros da Amazônia, o Brasil passa a contar com 26 patrimônios reconhecidos pela Unesco, sendo 16 culturais, nove naturais e um misto.

Seles Nafes
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