Por RODRIGO ÍNDIO, de Santana (AP)
Há sete dias, a vida de Lenice de Oliveira Moreira Viana, de 42 anos, foi dividida entre o antes e o depois. Desde que perdeu o marido, o pedreiro Cleuson Andrade Viana, de 39 anos, vítima de uma linha de pipa com material cortante enquanto voltava do trabalho, ela tenta encontrar forças para enfrentar um luto profundo ao mesmo tempo em que luta contra um câncer no útero. Para Lenicesposalinha de pipa esposalinha de pipa esposalinha de pipa esposalinha de pipa esposae, era o alicerce da casa.
As fotografias espalhadas pela residência se tornaram um refúgio. Cada imagem guarda uma lembrança de dias felizes, de sonhos compartilhados e de uma história interrompida de forma inesperada. É por meio delas que Lenice tenta manter viva a memória do companheiro com quem dividiu a vida por tantos anos.

Família em momento de lazer

…na igreja…

….e com os filhos

Morto por uma linjha com cerol
“Ele era um marido excepcional, um pai cuidadoso, um homem trabalhador e de caráter. Era o sorriso da nossa casa. Agora ficou um vazio que parece não ter fim”, conta, emocionada.
Enquanto tenta aprender a conviver com a ausência, Lenice enfrenta outra batalha. Há três meses, ela foi diagnosticada com câncer no útero e aguarda uma cirurgia considerada essencial para o tratamento. As dores são constantes, os sangramentos frequentes e, muitas vezes, só conseguem ser controlados com medicação. Durante todo esse processo, era Cleuson quem trabalhava diariamente para garantir o sustento da família e ajudar nas despesas do tratamento da esposa. O companheiro se foi, mas ficaram as preocupações com o aluguel, a alimentação e o futuro dos filhos.
A família mora no bairro Fonte Nova, em Santana. Além de Lenice, vivem no imóvel dois filhos adolescentes, de 15 e 16 anos, os pais dela e um tio com deficiência intelectual. Todos dependiam, de alguma forma, da renda do pedreiro. Cozinheira há quatro anos, Lenice diz que sempre teve orgulho de trabalhar para garantir o próprio sustento, mas a doença e a perda do marido tornaram a rotina ainda mais difícil.
“Eu gosto de trabalhar. Sempre lutei pelo que é meu. Mas, sem meu esposo e com a saúde debilitada, tudo ficou mais difícil. Hoje eu preciso de ajuda para continuar vivendo e cuidar dos meus filhos”.

“Ele era o alicerce”
Vídeos
Mesmo em meio à dor, ela faz um apelo para que sua intimidade seja respeitada. Desde a morte de Cleuson, recebeu ligações e mensagens de pessoas querendo detalhes da tragédia ou enviando vídeos do acidente.
“Eu peço que não façam isso. Eu não quero assistir ao vídeo do meu marido. Se forem entrar em contato comigo, que seja para ajudar ou deixar uma palavra de conforto.”
Lenice faz um apelo especial à classe médica. Ela sonha em conseguir realizar a cirurgia de que tanto precisa, mas afirma que não tem condições financeiras de custear o procedimento.
“Se tiver algum médico que faça essa cirurgia e possa ver esse pedido, eu peço que me ajude. Eu não tenho condições de pagar. Mas o Deus que eu sirvo é o Deus do ouro e da prata, e eu acredito que Ele vai abençoar quem estender a mão para mim. Quero vencer essa doença para continuar vivendo pelos meus filhos. É isso que meu esposo gostaria.”
Quem desejar ajudar Lenice pode entrar em contato pelo telefone e WhatsApp (96) 99970-0240.

“Eu gosto de trabalhar”, diz a cozinheira, impossibilitada pela doença

Ficaram as fotos, boas lembranças e preocupações
Pix (Nubank):
Chave: 9699970-0240
Favorecida: Lenice de Oliveira Moreira Viana.
A irresponsabilidade que interrompeu os planos
Cleuson Andrade Viana foi atingido pela linha cortante por volta das 18h do dia 30 de junho. Ele chegou a ser socorrido por testemunhas no meio-fio e levado ao hospital, mas sofreu uma grave hemorragia e morreu cerca de meia hora depois.
No município de Santana, existe uma lei que proíbe o uso de cerol e de linhas cortantes, como a chamada linha chilena, mas a conscientização ainda não tem sido suficiente para evitar tragédias como a que destruiu os planos dessa família. Até o momento, o responsável por soltar a pipa não foi identificado.
Um detalhe que chama a atenção é que a motocicleta do pedreiro possuía antena de proteção contra linhas de pipa. Mesmo assim, Cleuson acabou atingido fatalmente.

