Por SELES NAFES, de Macapá (AP)
Moradores da localidade de Aporema, no município de Tartarugalzinho, a 222 km de Macapá, estão preocupados com mortandades de pássaros registradas nos últimos dias. Segundo relatos da comunidade, centenas começaram a aparecer mortas nesta semana. Uma das ocorrências foi registrada nas proximidades de uma escola. Uma moradora enviou ao Portal SelesNafes.Com um vídeo que mostra dezenas de ‘tesouras’ mortas debaixo de uma árvore. Nas imagens, é possível perceber a grande quantidade de animais espalhados pelo chão.
“Isso já está acontecendo há uns 3 dias”, relatou outra moradora.

Pássaros começaram a aparecer mortos esta semana…
No vídeo, uma moradora relata que aquela árvore hospeda várias espécies, inclusive andorinhas. No entanto, apenas a tesouras estão aparecendo mortas. Ela fez um apelo para que órgãos responsáveis enviem equipes ao local e investiguem o que está provocando a morte das aves.
O Portal SN conversou com um biólogo sobre o caso. O profissional também consultou outros especialistas e explicou que, entre as hipóteses que precisam ser investigadas, está uma possível contaminação indireta por agrotóxicos utilizados em áreas agrícolas. O cultivo de soja é comum na região.
“Essas espécies se alimentam de insetos e podem estar comendo insetos contaminados, mas é preciso investigar. Não sabemos também se a aplicação está sendo feita de forma aérea nessas áreas”, explicou o biólogo.

…próximo de plantões de soja
Outro profissional consultado relatou ter recebido informação sobre uma ocorrência semelhante em uma fazenda de soja às margens da Rodovia AP-70.
“Um fotógrafo do banco, que faz fiscalização [em áreas de plantio de soja], nos relatou que foi em uma fazenda e mostraram a ele uma área cheia de pássaros mortos devido a algum tipo de agrotóxico. Os pássaros comem e morrem muito facilmente”, relatou.
Apesar das suspeitas levantadas pelos especialistas, ainda não há confirmação de que agrotóxicos tenham provocado a mortandade em Aporema. A causa somente poderá ser determinada após análise técnica dos animais e das condições ambientais da região.
A orientação é para que os moradores evitem o contato direto com as aves mortas e acionem os órgãos competentes, como a Defesa Civil e a Agência de Defesa e Inspeção Agropecuária do Amapá (Diagro), para que sejam feitas coletas e análises capazes de identificar uma eventual intoxicação e esclarecer a causa das mortes.
