Por RODRIGO ÍNDIO, de Macapá (AP)
Quatro pessoas estão desaparecidas desde a última sexta-feira (14) em uma área de mata em Tartarugalzinho, município a 222 km de Macapá. Segundo informações repassadas aos familiares, o grupo havia se deslocado para a região para realizar uma pesquisa em uma área que, conforme o relato recebido, estaria disponível para possível requerimento (fundiário ou de lavra). Os desaparecidos foram identificados como Leandro Armelino, Raimundo Góes, Matheus Costa e Marlon (que reside em Tartarugalzinho).
De acordo com as informações repassadas à equipe de busca, parte do grupo saiu de Macapá na terça-feira (11), por volta das 16h, seguindo para Tartarugalzinho, onde passaram a noite. Na quarta-feira (12), eles seguiram para a região de mata onde realizariam a atividade.

Drones estão sendo usados nas buscas
A real finalidade da pesquisa, de acordo com o tenente-coronel Izídio Júnior, do Corpo de Bombeiros, explicou que essa é uma das informações que ainda precisam ser esclarecidas durante as buscas. Durante a permanência na área, o grupo utilizava uma Starlink. O contato, no entanto, foi interrompido após a última comunicação registrada na sexta-feira (14), às 18h12. Na ocasião, os homens teriam enviado um áudio informando que estavam em um igarapé que dá acesso ao rio Faustino. Depois disso, os familiares não conseguiram mais estabelecer contato com o grupo.

Casa de moradores por onde as pessoas passaram antes de desaparecer
Local de difícil acesso
As informações repassadas às equipes de busca indicam que o acesso à região ocorre pela BR-156, seguindo pelo ramal do Limão. Depois de passar pela residência de um morador identificado como Alvanir, o trajeto continua até uma área onde funcionava o garimpo da Raimundinha.
Segundo o relato, no caminho existe uma porteira com cadeado. Após a porteira, seria necessário percorrer alguns quilômetros até o ponto onde a caminhonete utilizada pelo grupo teria sido deixada, escondida próxima a um rio. A partir desse local, os quatro teriam utilizado uma embarcação para seguir pelo rio Faustino.
O rio é estreito, possui galhos e troncos de árvores e apresenta trechos de difícil navegação. Uma das possibilidades consideradas é de que possa ter ocorrido algum problema com a embarcação. O Corpo de Bombeiros iniciou o deslocamento para a região na quarta-feira (19). Segundo Izídio Júnior, assim que chegaram os militares realizaram o primeiro deslocamento até a região indicada pelos familiares.

Bombeiros foram informados que o contato parou há uma semana
De acordo com o oficial, a equipe precisaria realizar um novo deslocamento, estimado entre três e quatro horas, até o ponto onde, segundo as informações recebidas, o veículo das vítimas teria sido deixado.
“É uma situação delicada porque, pela informação que eles passaram aos familiares, eles chegaram a determinado ponto e subiram um rio e, de repente, o contato parou”, explicou o tenente-coronel.
O oficial afirmou que existem diferentes possibilidades sendo consideradas pelas equipes, mas que ainda não há confirmação sobre o que aconteceu com os quatro homens. Entre as hipóteses estão um possível acidente com a embarcação, a possibilidade de o grupo ter ficado perdido em uma área de mata ou outras situações que somente poderão ser esclarecidas após a chegada dos militares ao ponto indicado.
O tenente-coronel também mencionou que, por se tratar de uma região onde há relatos de atividade de garimpo, outras possibilidades não podem ser descartadas neste momento. No entanto, ele ressaltou que não há confirmação de que tenha ocorrido qualquer conflito ou situação criminosa envolvendo os desaparecidos.
Ainda segundo o Corpo de Bombeiros, inicialmente o deslocamento pode ser realizado por veículo. No entanto, após o ponto onde a caminhonete teria sido deixada, os militares precisam utilizar uma embarcação para continuar pelo rio e, dependendo das condições encontradas, também realizar deslocamentos pela floresta.
“Os nossos militares estão no local, são especialistas de área e eles sabem fazer esse trabalho muito bem. Então a dificuldade é quando eles deixam o veículo e passam a andar tanto de embarcação ou mesmo na floresta”, afirmou Izídio Júnior.
O tenente-coronel explicou ainda que a vegetação amazônica é bastante densa, com cipós, áreas de difícil passagem e trechos alagados, o que dificulta a movimentação dos militares. A presença de galhos e troncos no leito do rio também pode aumentar a dificuldade de navegação e, segundo o Corpo de Bombeiros, existe a possibilidade de acidentes durante o deslocamento.
