Por RODRIGO ÍNDIO, de Macapá (AP)
Uma iniciativa desenvolvida pelas jovens alunas Ayra Maitê Viana Gama, de 9 anos, e Keren Meline Lemos Rosa, de 10 anos, alunas do 4º ano do Ensino Fundamental da Escola Municipal Acre, em Porto Grande, promete transformar o cuidado com a pele utilizando as riquezas da biodiversidade amazônica. Após conquistarem o primeiro lugar na FEICEACRE 2026, as estudantes desembarcaram em Macapá para apresentar o projeto “Sinergia Amazônica: O poder regenerativo do Pracaxi, da Babosa, da Cúrcuma e da Lavanda” na Feira de Ciências do Amapá (FECEAP).
Sob a orientação da professora Adriana de Lima do Carmo, a pesquisa une o conhecimento tradicional sobre as plantas medicinais da região às bases da fitocosmética moderna, resultando em um sabonete artesanal à base de glicerina que oferece uma alternativa natural, segura e de baixo custo para a saúde dermatológica.
“Nosso projeto surgiu da vontade de aproveitar as riquezas da floresta amazônica para produzir um sabonete artesanal e medicinal. A ideia foi unir conhecimentos tradicionais com a ciência”, explica a estudante Ayra Maitê.

Ayra, de 9 anos…

… e Keren, de 10, transformaram conhecimentos sobre plantas medicinais em um projeto científico premiado. Fotos: Rodrigo Índio/SelesNafes.com
A fórmula foi pensada estrategicamente para agir de forma multifuncional na barreira cutânea. Ao combinar os ativos vegetais, o sabonete atua como um potente hidratante, cicatrizante, anti-inflamatório e antisséptico:
* Óleo de Pracaxi: Conhecido como um poderoso renovador celular da Amazônia, atua diretamente na regeneração dérmica e na cicatrização de feridas, auxiliando na recuperação do tecido cutâneo.
* Babosa (Aloe vera): Garante o equilíbrio hídrico e a hidratação profunda da pele, com ação suavizante que acalma irritações.
* Cúrcuma: Oferece ação anti-inflamatória e antioxidante para conter processos irritativos, além de conferir à barra uma cor amarela-ouro inteiramente natural.
* Lavanda: Traz efeito antisséptico para a higienização e um aroma relaxante que complementa o bem-estar no uso diário.

Produto combina ativos naturais da biodiversidade amazônica
“O objetivo principal do projeto foi desenvolver um sabonete artesanal, hidratante, cicatrizante e anti-inflamatório, oferecendo uma alternativa sustentável e de baixo custo com os cuidados com a pele”, destaca Keren Meline.
Além da eficácia medicinal, o processo de produção priorizou a preservação dos nutrientes das plantas. Segundo as pequenas cientistas, a base glicerinada foi derretida em banho-maria e misturada cuidadosamente aos extratos e óleos em etapas controladas para garantir a qualidade final do produto.
“Como resultado, obtivemos um sabonete bonito, firme, com cor dourada natural da cúrcuma e aroma agradável de lavanda. A espuma é macia e suave, mantendo as propriedades hidratantes. Também observamos que o óleo de pracaxi não alterou a consistência do produto, contribuindo só para a eficácia”, aponta Keren Meline.

Estudantes do 4º ano representam Porto Grande na FECEAP
Diferente de sabonetes industriais que utilizam detergentes sintéticos e substâncias químicas que podem ressecar a pele e provocar alergias, a receita formulada em Porto Grande demonstrou ser suave e totalmente compatível com a saúde do corpo.
“Concluímos que é possível produzir um sabonete natural, eficaz, sustentável e de baixo custo utilizando plantas da Amazônia. Além de valorizar os recursos naturais da nossa região, nosso projeto incentivou o uso consciente de produtos naturais e contribui para a preservação do meio ambiente”, finaliza Ayra Maitê.
Conectado aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 da ONU, o trabalho representa a força da inovação científica nascida nas escolas públicas do interior do Amapá, combinando a preservação da floresta com soluções práticas para a saúde e o bem-estar.
