Por RODRIGO ÍNDIO, de Macapá (AP)
A curiosidade científica e a vivência familiar resultaram em uma promissora iniciativa de pesquisa no interior do estado do Amapá. Três jovens estudantes da Escola Estadual Veiga Cabral, no município de Amapá, a 310 km de Macapá, decidiram mergulhar em um dos temas mais desafiadores da medicina moderna: a busca por novos tratamentos contra o câncer de mama.
Inspirados na rotina de apicultura da família de um dos alunos, Leonardo Ferreira (15 anos), Gianne Tavares (13 anos) e Aleksandro Costa (14 anos) desenvolveram um projeto bibliográfico e exploratório focado no uso da melitina — o principal peptídeo citolítico do veneno da abelha Apis mellifera — para destruir células tumorais.
A motivação inicial para a pesquisa partiu do ambiente doméstico. O pai de Leonardo atua como apicultor na região, o que despertou no jovem de 15 anos o interesse pelas propriedades biológicas das abelhas. Percebendo que o manejo das colmeias mantidas pela família poderia ir além da produção de mel e derivados convencionais, os alunos enxergaram a oportunidade de extrair conhecimento científico de uma matéria-prima presente no seu dia a dia.
Guiado pelo professor orientador Marcus Vinicius Souza e Souza, o trio — formado por dois alunos do 9º ano e uma aluna do 8º ano do ensino fundamental — organizou a pesquisa “A melitina extraída das abelhas Apis no tratamento de células oncológicas na mama” para a Feira de Ciências e Engenharia do Amapá (FECEAP).

Leonardo é filho de apicultor. Fotos: Rodrigo Índio/Portal SN

Brasil tem mais de 70 mil casos da doença por ano
A proposta busca alertar para o alto impacto epidemiológico do câncer de mama, responsável por mais de 73 mil novos casos anuais no Brasil, e propor caminhos terapêuticos complementares ou alternativos.
“Uma vez que podemos utilizar a colmeia e realizar o procedimento de extração da melitina, isso pode ser de grande ajuda. Nossa finalidade é conseguir uma cura alternativa para o câncer de mama — e, a partir daí, abrir portas para outros tipos de neoplasia”, disse Leonardo, estudante e coautor da pesquisa.
Para compreender a fundo essa fronteira da medicina, o grupo debruçou-se sobre trabalhos de vanguarda produzidos na academia brasileira nos últimos 15 anos em células tumorais mamárias. A melitina atua de forma direta sobre a estrutura celular maligna.
Para além dos achados bibliográficos apresentados nos painéis da FECEAP, a trajetória de Leonardo, Aleksandro e Gianne carrega o pulsar de quem enxerga a ciência como ponte para o amanhã.

