Polícia conclui que PM executou personal com a arma da corporação

Segundo a DHPP, soldado matou Daniel Castilho com arma da corporação; desaparecimento começou a ser esclarecido depois que PM foi preso usando o carro da vítima em um roubo
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Por LEONARDO MELO, de Macapá (AP)

A Polícia Civil do Amapá indiciou o policial militar Gilvan Endryl Barros, de 24 anos, pela morte do personal trainer Daniel César del Castillo da Silva, de 36 anos, ocorrida em setembro de 2025. O educador físico estava desaparecido havia mais de uma semana quando o PM foi preso após um assalto em que utilizou o carro da vítima que, segundo a investigação, já estava morta.

De acordo com a Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), os dois se conheciam desde que Daniel treinou Gilvan para o Teste de Aptidão Física (TAF) do concurso da Polícia Militar. O corpo do personal foi encontrado no dia 15 de setembro, em um ramal da Rodovia AP-70, entre os bairros Ipê e Curiaú, numa região próxima à zona rural de Macapá. A vítima apresentava uma perfuração provocada por disparo de arma de fogo na cabeça.

Carro da vítima Daniel Castilho: PM usou veículo durante uma semana, até se envolver num acidente e depois no assalto. Foto: Olho de Boto/Portal SelesNafes.Com 

Familiar se debruça sobre caixão de personal morto com um tiro na cabeça Foto: Rodrigo Índio/Portal SelesNafes.Com

Daniel saiu de casa no dia 6 de setembro na companhia do policia militar

Três dias antes da localização do corpo, em 12 de setembro, Gilvan e o amigo Alam Alves Lobato foram presos em flagrante por roubo enquanto utilizavam o Chevrolet Onix vermelho de Daniel. Segundo a investigação, a dupla entrou em um mercantil na região da Pedreira e fugiu levando chocolates e cigarros. O policial militar, que estava de folga do Batalhão de Oiapoque (quase 500 km de distância), usava uniforme e arma da corporação. Alam estava com roupa camuflada. Os dois foram presos pela PM com drogas, produtos e dinheiro roubados do estabelecimento.

O acidente e sumiço

A DHPP conseguiu reconstruir parte dos últimos passos do personal e descobriu que ele havia saído de casa no dia 6 de setembro na companhia do ex-aluno. Para a polícia, as provas reunidas no inquérito apontam Gilvan como autor do assassinato.

“As evidências apontaram que o Gilvan Endryl acabou executando Daniel Castilho com um disparo na cabeça, com a própria arma da instituição (acautelada com Gilvan). A motivação ainda não conseguimos entender, mas descobrimos que foi ele quem matou o Daniel”, explicou o delegado José Mário Carneiro, da DHPP.

Alam, o comparsa no roubo, não foi indiciado pelo homicídio

Soldado em audiência de custódia…

…e no julgamento pelo roubo em março

Segundo o delegado, após o crime, Gilvan passou cerca de uma semana circulando com o carro da vítima. Nesse período, envolveu-se em um acidente com outro veículo e deixou o local. O proprietário do automóvel atingido anotou a placa e conseguiu localizar o endereço de Daniel para cobrar os prejuízos. Foi quando a família, surpreendida com a situação, passou a desconfiar ainda mais do desaparecimento.

“A família da vítima acabou se surpreendendo e começou a desconfiar do sumiço do Daniel. No mesmo dia, ele e o Alam realizaram um roubo usando a arma da corporação. A PM prendeu os dois no carro da vítima”, acrescentou o delegado.

Acidente com o carro da vítima começou a esclarecer o crime

Gilvan está preso e foi condenado, em março, a 11 anos de prisão de prisão pelo roubo e à perda do emprego (o que ainda não foi efetivado). Agora, com a conclusão do inquérito da DHPP, também responderá pelo homicídio de Daniel Castilho. A polícia não encontrou provas da participação de Alam no homicídio. A justiça já tinha decretado a prisão preventiva do policial no processo relacionado à morte do personal.

Seles Nafes
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