Adepol critica grupo de delegados na campanha eleitoral e fala em “usurpação”

Manifestação ocorre após polêmica envolvendo Estéfano Santos e vídeo de apoio de delegados a Antônio Furlan, retirado das redes sociais do candidato
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Por SELES NAFES, de Macapá (AP)

A Associação dos Delegados de Polícia do Estado do Amapá (Adepol) entrou nesta terça-feira (15) na polêmica envolvendo a participação de integrantes da Polícia Civil na campanha eleitoral. Em nota de repúdio, a entidade criticou delegados que vinculam publicamente suas imagens a candidaturas e acusou de “usurpação” o uso da representatividade da associação em uma articulação que classificou como de “nítido caráter político-eleitoral”.

A manifestação ocorre após a repercussão de um vídeo de apoio de delegados ao candidato ao governo do Estado Antônio Furlan (PSD), veiculado na semana passada nas redes sociais da campanha. Um dos participantes era Estéfano Santos, delegado da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco), que posteriormente protagonizou uma controvérsia relacionada a uma reportagem nacional da Record, onde afirma que teve a imagem (entrevista) usada indevimente na matéria que aponta suposta ligação de Furlan com uma façcão nas eleições de 2024, o que o candidato nega.

No dia seguinte à exibição da matéria, Estéfano divulgou um vídeo para contestar a forma como sua entrevista havia sido inserida na reportagem. A gravação do delegado chegou a ser apresentada pela coligação de Furlan à Justiça Eleitoral como argumento para tentar retirar publicações que repercutiram o conteúdo da Record. O TRE, contudo, concluiu que o material não demonstrava a alegada descontextualização da entrevista.

A crise ganhou um novo capítulo com a organização, por um grupo de delegados, de um ato marcado para esta terça-feira para apresentação de uma suposta carta de repúdio da categoria. Foi nesse contexto que a Adepol, que representa a categoria, decidiu se posicionar publicamente e deixar claro que a iniciativa não tem respaldo institucional.

Na nota, a entidade reconhece que cada delegado possui “direito individual” de manifestação e escolha política. Em seguida, porém, faz uma crítica direta a integrantes da categoria que tornam pública a preferência por determinado candidato e, posteriormente, questionam a utilização de suas imagens no ambiente político-eleitoral.

“Entendemos que aqueles que publicamente vinculam sua imagem a determinado candidato político, não podem, posteriormente e de forma seletiva, invocar uso indevido de sua imagem pública para fins políticos-eleitorais”, diz a Adepol.

Delegado emprestou imagem à candidatura, isentou Furlan em investigações e reclamou de participação em reportagem sobre a infiltração do crime organizado na política

Para a associação, esse tipo de comportamento revela “descompromisso com a isenção e imparcialidade” exigidas no exercício da carreira. A Adepol também se distanciou do ato organizado pelo grupo de delegados e empregou termos duros ao tratar da iniciativa. A entidade afirmou que não está convocando qualquer reunião e que não participará da apresentação da suposta carta. Segundo a associação, a movimentação seria uma “articulação de nítido caráter político-eleitoral”. 

A entidade foi além e classificou como “prática de conduta rasteira, covarde e tendenciosa a enganar a sociedade” qualquer tentativa de usar o nome da associação para criar uma suposta posição ideológica coletiva dos delegados, disse o presidente da Adepol, delegado Rogério Campos Souza. Ele também advertiu que o uso indevido do nome da Adepol poderá resultar na adoção de medidas legais.

Seles Nafes
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