Por OLHO DE BOTO, de Macapá (AP)
O delegado José Mário Carneiro, da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), identificou e indiciou integrantes do grupo apontado como responsável pela execução de Pedro Dener de Almeida Furtado, de 28 anos, morto a tiros no Conjunto Macapaba II, na zona norte de Macapá.
Segundo a Polícia Civil Civil, Pedro teria sido alvo de um chamado “decreto” de execução após deixar a Família Terror Amapá (FTA) e passar a integrar o Comando Vermelho (CV).
De acordo com o relatório policial, três integrantes apontados como lideranças da FTA no Macapaba teriam determinado a morte da vítima: Luiz Coutinho da Costa Neto, o “Mex”, Brendo Washington Santos da Silva, conhecido como “Loiro”, e Gelton Figueira da Silva, o “Gerente”, “Juninho” ou “Topete”.
Os três tiveram mandados de prisão expedidos pela Justiça, mas continuam foragidos.
A investigação aponta que Sebastiana Batista Rosa, de 19 anos, conhecida como “Preta Rara” ou “Thyanna”, teria desempenhado um papel decisivo para que Pedro fosse atraído até o local onde acabou executado.

Investigação aponta que localização da vítima foi repassada aos executores após encontro marcado por aplicativo. Foto: Olho de Boto/arquivo SN
Segundo a DHPP, a jovem teria simulado interesse amoroso pela vítima através das redes sociais e aplicativos de mensagens. Depois de marcar o encontro, ela teria repassado aos criminosos a localização exata de Pedro.
A estratégia teria funcionado. Sebastiana confessou participação no crime durante interrogatório. O mandado de prisão contra ela por homicídio foi cumprido no Instituto de Administração Penitenciária do Amapá (Iapen), onde ela já estava presa por tráfico de drogas.
Entre os investigados está Izaías Araújo de Lima, o “Cabuloso”, apontado pela polícia como integrante da FTA.
Conforme o relatório, ele teria abordado Pedro durante a emboscada e tentado atirar contra a vítima, mas a arma que utilizava teria apresentado uma falha.

Delegado José Mário Carneiro identificou e indiciou os suspeitos apontados pela investigação como envolvidos no crime
Nesse momento, outro integrante do grupo, identificado apenas pela alcunha de “Andreyzinho”, teria assumido a ação e efetuado os disparos.
A perícia identificou sete ferimentos provocados por disparos de arma de fogo, sendo cinco nas costas e dois nas nádegas, reforçando a suspeita de que a vítima foi atacada quando estava sem possibilidade de reação.
Izaías, o “Cabuloso”, morreu posteriormente, em 17 de junho de 2026, durante um confronto armado com policiais militares.
Pedro Dener foi morto na noite de 12 de outubro de 2025, por volta das 21h30, no Macapaba II.
Familiares contaram à polícia que ele havia saído de casa, no bairro Buritizal, após receber uma ligação telefônica para encontrar uma mulher.
A suspeita de que o encontro fazia parte de uma emboscada ganhou força durante a investigação.
A hipótese de latrocínio foi descartada porque a motocicleta utilizada pela vítima não foi levada pelos criminosos.
Pedro havia deixado recentemente o Iapen e possuía antecedentes por tráfico de drogas, roubo à mão armada e lesão corporal.
Ao concluir o inquérito, José Mário indiciou os investigados por homicídio qualificado, considerando o uso de recurso que teria dificultado ou impossibilitado a defesa da vítima.
Com a identificação dos envolvidos e a reunião dos elementos apontados como provas de autoria, o procedimento foi encaminhado à Justiça para as providências cabíveis.
A Polícia Civil continua tentando localizar e prender os investigados que permanecem foragidos. Informações que possam levá-los à prisão podem ser repassadas pelo telefone 99170-4302, que é o disque-denúncia da DHPP.
