Marabaixo vira elo cultural entre Brasil e Suriname

Manifestação cultural amapaense ganhou espaço internacional durante missão que reuniu representantes dos dois países
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Por RODRIGO ÍNDIO, de Macapá (AP)

O som ritmado das caixas e o rodopio das saias floridas ganharam novo eco longe do solo amapaense. Em uma iniciativa que une diplomacia, pertencimento e preservação ancestral, uma comitiva cultural do Amapá desembarcou em Paramaribo, capital do Suriname, para representar o Brasil nas celebrações alusivas à Independência brasileira.

A missão cultural, fruto de uma cooperação entre o Consulado Brasileiro em Paramaribo e representações diplomáticas do Suriname, transformou a manifestação mais tradicional do Amapá em cartão de visitas do país no exterior. A comitiva reuniu marabaixeiros, marabaixeiras e lideranças da gestão cultural e das políticas de igualdade racial do estado.

Mais do que uma apresentação artística, a presença do ritmo em terras surinamesas marca um passo estratégico na integração regional da Amazônia Guianense. A ação foi viabilizada pelo Governo do Estado do Amapá, com atuação conjunta da Fundação Marabaixo, da Secretaria de Estado da Cultura (Secult), da Agência de Fomento do Amapá (Afap) e de conselheiros da Fundação de Políticas de Promoção da Igualdade Racial.

Passo estratégico na integração regional da Amazônia Guianense

Artistas do Amapá em frente à maior igreja cristã de madeira das américas

Para quem acompanhou de perto, a passagem do Marabaixo por Paramaribo reafirmou o papel da arte como ferramenta de aproximação entre nações vizinhas que compartilham desafios e identidades na fronteira norte do continente.

“Trata-se de um momento diplomático relevante, com presença do Itamaraty, onde o Marabaixo assume o papel de síntese da própria cultura brasileira”, destacou o conselheiro estadual de Cultura João Ataíde, que integrou a delegação ao lado da conselheira Cleane.

“O Amapá representa o Brasil neste intercâmbio que é cultural, mas que também abre portas para o fortalecimento econômico e social entre os dois países”, acrescentou Ataíde.

Visita a ponto cultural no melhor estilo do Marabaixo

A comitiva também manteve diálogos voltados às pautas de igualdade racial e outros temas que conectam as histórias do Amapá e do Suriname.

Reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), o Marabaixo carrega em seus versos — os tradicionais “ladrões” — a memória, a resistência e a religiosidade do povo negro amapaense.

Ao ocupar espaços institucionais e internacionais na América do Sul, a tradição reforça sua força e identidade. A passagem por Paramaribo sinaliza um novo momento para a diplomacia cultural do Amapá, em que uma manifestação nascida e preservada nas comunidades amapaenses também se apresenta como instrumento de integração transfronteiriça no Platô das Guianas.

Seles Nafes
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