Por SELES NAFES, de Macapá (AP)
O menor de 16 anos que dirigia a Ranger que matou mãe e filha, na madrugada desta sexta-feira (4), na zona sul de Macapá, já possui histórico de acidentes de trânsito, apesar de nem possuir CNH. De acordo com a Polícia Civil, foram duas outras ocorrências, uma delas com vítima (ferida), num intervalo de apenas um ano.
Os dados foram pesquisados pela Delegacia de Atos Infracionais (Deiai), para onde o adolescente foi conduzido após a colisão no cruzamento da Avenida Anhanguera com a Rua Hildemar Maia, no bairro do Buritizal. Além de imagens de câmeras de segurança, ele admitiu no local que avançou a preferencial.
Em 2025, com apenas 15 anos, ele já tinha se envolvido em um acidente apenas com danos materiais. Em julho de 2026, ele ‘atropelou’ um motociclista na Rodovia do Centenário (antiga Norte-Sul). De acordo com as investigações, ele fugiu do local sem prestar socorro à vítima.

Ranger atingiu o Gol da família no meio, matando mãe e filha
“Observamos que está havendo uma escalada das ocorrências, agora com as mortes de mãe e filha”, comentou o delegado Wenderson Braga, que investiga o caso pela Deiai.
Na madrugada de hoje, ele permaneceu no local e passou pelo bafômetro, que confirmou que o menor não havia consumido álcool. No entanto, ele se recusou a fazer o exame toxicológico.


Marido ainda não sabe o que aconteceu com a esposa e a filha
Apesar do histórico, o infrator não foi apreendido. Segundo o delegado, nesses casos, caberá ao Ministério Público solicitar a internação provisória.
“Mas vou concluir o procedimento autuando-o por ato infracional análogo a homicídio culposo e lesão corporal de natureza grave, com aumento na pena. Caberá ao promotor de Justiça dizer se será internado ou não. Também relatarei no final do procedimento esse desprezo dele pela vida e a omissão dos pais que não tomaram providências (para impedir novas ocorrências)”, acrescentou o delegado.
Braga foi até o Hospital de Emergência tentar conversar com os sobreviventes. No acidente morreram Elen Alves Cardoso, de 33 anos, e a filha Ester, de 1 ano. O marido, Jonathan Ferreira, de 32 anos, e o filho de 7 anos não correm risco de morte, apesar dos ferimentos.
O marido está sedado e, até o início da tarde, não sabia o que aconteceu. O menino, com múltiplas fraturas e ferimentos, estava consciente e conversou com os policiais.
