Ex-deputada bolsonarista culpa “vulgo nova direita” por falta de apoio a Flávio no Amapá

Silvia Waiãpi (PL) criticou a falta de empenho de lideranças da direita na campanha presidencial e responsabilizou aliados pela vitória petista no estado
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Por SELES NAFES, de Macapá (AP)

A ex-deputada federal Silvia Waiãpi (PL) responsabilizou lideranças da “vulgo nova direita” do Amapá pela derrota de Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno da eleição presidencial. A crítica foi direcionada especialmente ao governador eleito, Antônio Furlan PSD) e à vice Luciana Gurgel (PL), além da senadora eleita Rayssa Furlan (Podemos) e senador Lucas Barreto (PSD), todos ligados à direita. Para Silvia, o grupo não demonstrou empenho em pedir votos ao candidato bolsonarista, apesar de integrarem o mesmo campo político. No Amapá, Lula (PT) venceu com 52,88% dos votos válidos (222.968), contra 47,12% (198.674) de Flávio, uma diferença de 24.294 votos.

A manifestação ocorre depois de uma virada eleitoral expressiva. No primeiro turno, Lula havia vencido no estado por uma margem mínima, com 45,71% dos votos, contra 45,67% de Flávio. Na etapa decisiva, o presidente reeleito ampliou sua vantagem, impulsionado pela mobilização de aliados, estudantes e pela conquista de eleitores de outras candidaturas. Silvia, no entanto, atribuiu parte desse resultado à falta de engajamento de políticos que se apresentam como representantes da direita no Amapá.

Silvia foi impedida de concorrer pelos próprios companheiros da direita

“Não estou aqui para dar parabéns para ele (Lula). Estou para lamentar que o atual governo eleito vai deixar de pagar aposentados porque não vai ter dinheiro. Muitas coisas aconteceram e essa ‘vulgo nova direita’ elegeu o Lula no Amapá”, disparou a ex-parlamentar. A afirmação sobre eventuais dificuldades financeiras para pagar aposentados foi feita por Silvia, sem apresentação de dados que comprovem essa previsão.

A bolsonarista também lembrou a disputa envolvendo a estrutura logística de apoio à exploração de petróleo na Margem Equatorial, cuja preferência teria sido direcionada a Belém, em vez de Oiapoque.

“Todos calados”, criticou, referindo-se à postura das lideranças do novo governo estadual. 

A reação expõe divergências dentro do próprio campo conservador, que saiu fortalecido das eleições estaduais, mas não conseguiu transformar esse desempenho em vitória presidencial no Amapá.

Condenada pelo Tribunal Regional Eleitoral do Amapá (TRE) em um processo envolvendo o uso de recursos de campanha para um procedimento de harmonização facial, Silvia recorria da decisão e pretendia disputar novamente uma vaga na Câmara dos Deputados. A candidatura, contudo, foi barrada pela direção partidária sob o argumento de que uma eventual anulação de seus votos poderia comprometer toda a nominata de candidatos a deputado federal.

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