Por LEONARDO MELO, de Macapá (AP)
O que deveria ser um ambiente de aprendizado para 264 crianças no bairro Jardim Marco Zero, hoje se assemelha a um cenário de guerra e abandono ao lado da Cidade do Samba. Três meses após o incêndio que atingiu a Creche Municipal Tia Nivalda, em outubro de 2025, o local permanece exatamente como as chamas o deixaram: com ferragens retorcidas, materiais escolares carbonizados e paredes enegrecidas pela fuligem.
Diferente do que foi anunciado pela Prefeitura de Macapá no dia do sinistro — quando a Zeladoria Urbana iniciou uma limpeza simbólica para as câmeras — nenhum entulho foi removido desde então.
A falta de vigilância transformou a unidade de ensino, construída com investimento de R$ 2.824.000,00 (recursos do Tesouro Municipal e Fundeb), em um abrigo para a criminalidade e para o uso de substâncias ilícitas.
Durante a produção desta reportagem, a equipe flagrou duas pessoas ocupando o prédio. Ao perceberem a presença da câmera, os indivíduos fugiram rapidamente por entre buracos na estrutura.

Creche foi inaugurada em 2023. Fotos: Rodrigo Índio/SelesNafes.Com

Mais de 4 meses após incêndio, unidade não passou por qualquer obra…

…e nem recebeu vigilância…
No interior da unidade, o cenário é de completa desolação e descaso sanitário. O prédio foi entregue ao vandalismo e às invasões. Pelos corredores onde antes circulavam crianças, o que se vê agora é acúmulo de lixo e fezes humanas, exalando um odor insuportável, onde o cheiro residual do incêndio se mistura ao de resíduos orgânicos em decomposição.
Em outubro de 2025, o secretário municipal de Educação, Marcos Pantoja, afirmou que o objetivo era “garantir a continuidade do ano letivo” e a “recuperação da estrutura”. No entanto, para moradores do entorno, a sensação é de que a creche — inaugurada com festa em abril de 2023 — foi riscada do mapa pela administração pública.

Sem vigias, local fica aberto ao uso criminoso

Estrutura comprometida…

Creche custou quase R$ 3 milhões
“Nós viemos de imediato verificar o que estava acontecendo e vamos recuperar a estrutura rapidamente” — afirmou a gestão na época.
Até o fechamento desta edição, os materiais que custaram milhões aos cofres públicos continuam apodrecendo sob sol e chuva, enquanto as famílias das crianças matriculadas seguem aguardando uma solução definitiva que vá além do improviso.

Famílias no bairro Marco Zero aguardam solução

