Por RODRIGO ÍNDIO, de Macapá (AP)
Quem piscou, perdeu. A comemoração pelos 268 anos de fundação de Macapá, na manhã desta quarta-feira (4), confirmou uma velha máxima das festas populares locais: o bolo é democrático, mas não é para todos. Em cerca de 30 segundos, metros de massa e glacê desapareceram diante de uma multidão que ocupou a Avenida General Gurjão e protagonizou uma verdadeira corrida açucarada. A prefeitura tinha organizado a partilha do bolo para ocorrer em fatias, de forma democrática e ordeira, mas ao chegar, o prefeito Antônio Furlan (MDB) acabou atendendo ao pedido dos próprios populares e deu permissão para ‘atacar’ a mesa.
A movimentação com ansiedade começou cedo. Enquanto a missa em ação de graças ocorria na Catedral de São José, do lado de fora a movimentação já revelava o clima de expectativa. As cinco tendas preparadas pela prefeitura para a distribuição pareciam pequenas diante do volume de pessoas que se concentrou no local.

Vasilhas revelavam tamanho da expectativa…

…pelo pedaço que seria levado para casa

Até baldes foram levados
Nas mãos do público, o improviso e o tamanho das vasilhas avisavam que a expectativa era alta. Baldes reutilizados, bacias de todos os tamanhos e uma infinidade de potes plásticos formavam o kit básico de quem não queria sair de lá de mãos abanando.
“Sobrevivência” e tradição
Para muita gente, a meta não era saborear um pedaço ali mesmo, mas garantir o doce para dividir em casa. Essa corrida por “abastecimento” elevou a tensão antes mesmo do primeiro corte oficial. Quando a organização foi rompida, o empurra-empurra e os gritos tomaram conta do espaço, exigindo jogo de cintura dos voluntários.

População checou bem cedo para garantir o lugar mais estratégico

Atendendo a pedidos dos próprios populares, prefeito proibiu a entrega em fatias. Fotos: Rodrigo Índio/SelesNafes.Com
Apesar da correria e das calçadas que rapidamente ficaram marcadas pelo branco da cobertura espalhada, a cena é encarada por muitos como parte do folclore urbano da capital. É o encontro entre a tradição festiva e o entusiasmo popular levado ao extremo.
Minutos depois, restaram apenas histórias para contar: de um lado, os vitoriosos com recipientes cheios; de outro, os que ficaram só na vontade. Para os 269 anos de Macapá, fica a pergunta que já começa a circular: como planejar uma logística capaz de acompanhar a velocidade de quem não abre mão de levar um pedaço da festa para casa?

