Por SELES NAFES, de Macapá (AP)
É grande a tensão em uma área ocupada na BR-210, em Macapá, nas proximidades da base da Polícia Rodoviária Federal. Moradores da comunidade Agroverde acionaram a Polícia Civil do Amapá nesta quinta-feira (26) e denunciaram que tiveram casas derrubadas na última quarta-feira (25), após um conflito envolvendo uma área ocupada há cerca de sete anos.
Segundo a presidente da associação de moradores, Jarleny Mendes, as famílias foram surpreendidas enquanto trabalhavam fora. Ao retornarem no fim do dia, encontraram as residências completamente destruídas.
“São pais e mães de família. A maioria vive da agricultura familiar. A gente só quer respeito”, afirmou.
De acordo com levantamento feito pelos próprios moradores, aproximadamente 200 famílias vivem na área, onde existem cerca de 25 hortas. A comunidade nega qualquer envolvimento com atividades ilícitas e afirma que utiliza o espaço exclusivamente para moradia e sustento.

Delegado Dante conversa com famílias em área que está sendo disputada. Fotos: Olho de Boto

Várias casas de madeira foram destruídas…

…enquanto os moradores estavam trabalhando
Quilombolas
O impasse envolve a divisa com a comunidade quilombola do Curralinho. Representantes da Agroverde alegam que, conforme documentos judiciais citados por eles, o território ocupado não pertence ao quilombo e que o Curralinho estaria a cerca de seis quilômetros do ponto do conflito. Ainda assim, moradores afirmam que algumas lideranças teriam reivindicado a área como parte do território quilombola e promovido a destruição das construções.
A Polícia Civil esteve no local para apurar os fatos. O delegado Dante Ferreira confirmou o registro de crime de dano e afirmou que os responsáveis serão identificados e indiciados.
“Não se pode resolver conflito de terra com destruição. Isso pode gerar algo ainda mais grave, como lesão corporal ou até morte”, alertou.
Até o momento, segundo o delegado, não foi constatado crime ambiental na área. Ele também informou que há uma ação judicial em andamento para decidir sobre a posse definitiva do terreno. Enquanto a Justiça não se manifesta, os moradores devem permanecer no local.

Moradores acusam famíias quilombolas do Curralinho

Área está ocupada há sete anos
A moradora Lorena Marques reforçou o pedido por justiça e direito de resposta.
“Aqui realmente tem moradores, pais e mães de família. Assim como eles têm o direito deles, a gente tem o nosso. A gente precisa de justiça com relação à destruição das nossas casas”, declarou. Ela confirmou que a comunidade Agroverde existe há sete anos e reúne cerca de 200 moradores e 25 hortas em atividade.
O clima na região segue tenso. De um lado, famílias que afirmam depender da terra para sobreviver; de outro, uma disputa territorial que agora aguarda decisão judicial.
