Por SELES NAFES, de Macapá (AP)
O prefeito em exercício de Macapá, Pedro Dalua (União), revelou durante coletiva nesta terça-feira (10) que o Instituto de Previdência de Macapá (Macapaprev) enfrenta o que classificou como sua maior crise financeira. Segundo ele, mesmo com dificuldades para pagar aposentadorias e pensões, o órgão firmou dois contratos de auditoria que somam mais de R$ 3 milhões.
A declaração foi feita durante o anúncio da criação de um gabinete de emergência administrativa e financeira. Na coletiva, Dalua também falou sobre supostas manobras para pagar a empresa Santa Rita Engenharia (investigada pela PF), dificuldades da nova gestão em acessar informações financeiras da prefeitura e pagamentos elevados a blogs e influenciadores digitais.
“Serviço que (para ser executado) existe um corpo jurídico e técnico na Macapaprev. O mesmo serviço que o poder público já tem para fazer (auditoria) e eles contrataram duas consultorias de R$ 3 milhões”, afirmou o prefeito.
Segundo Dalua, a Macapaprev também solicitou à Secretaria Municipal de Finanças — que estava sob o comando do vice-prefeito Mário Neto — um aporte financeiro para conseguir pagar sua própria folha de pagamento.
“Chupa essa manga. Se a Macapaprev não tem recurso para pagar os seus servidores, imagina os aposentados”, comentou o prefeito, acrescentando que espera o acompanhamento do Ministério Público do Estado diante da crise administrativa enfrentada pela prefeitura.

Contratos de R$ 3 milhões para auditoria, mesmo existindo técnicos na prefeitura para fazer o trabalho Fotos: Seles Nafes
Além de secretários municipais, participou da coletiva a nova presidente da Macapaprev, a contadora Lucélia Quaresma, que também fez um relato considerado preocupante sobre a situação do instituto.
“Sem um cálculo atuarial (estudo matemático usado para prever custos futuros com base em probabilidades) não temos uma previsão de aposentadorias futuras. A retirada de recursos da Macapaprev para pagamentos de outras situações que nós estamos analisando, sem um cálculo atuarial, não temos recurso futuro para efetivar os pagamentos (das aposentadorias)”, alertou.

