‘Sonhos viraram combustível para seguir em frente’, diz namorado de Ana Paula

Após o sepultamento de Ana Paula Viana Rodrigues, jovem de 19 anos morta em Santana, namorado publicou vídeo relembrando o amor do casal e cobrando justiça
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Por RODRIGO ÍNDIO, de Macapá (AP)

O luto tem muitas faces, mas em Santana, no Amapá, ele ganhou a voz de um jovem apaixonado. Após o sepultamento de Ana Paula Viana Rodrigues, de 19 anos, o namorado dela, Marcos, utilizou as redes sociais para prestar uma homenagem em meio à dor da perda, com jeito de um manifesto sobre o valor da vida e do amor verdadeiro.

Em um vídeo carregado de emoção, Marcos compartilhou com amigos e familiares o vazio deixado pela partida prematura da estudante de Ciências Biológicas da Universidade Federal do Amapá (Unifap). Entre lágrimas, ele descreveu Ana Paula não como uma vítima de uma estatística cruel, mas como a força motriz de sua vida.

“Essa menina foi tudo pra mim. Ela me deu força, ela me deu esperança, ela me fez ser uma pessoa maior a cada dia que passava”, desabafou Marcos.

O relato chamou atenção pela sinceridade ao abordar a brutalidade do crime — um latrocínio motivado por objetos materiais.

“O quanto vale a vida de uma pessoa? Será que vale uma carteira vazia e um celular?”, questionou o jovem, ecoando a indignação de todo o estado do Amapá.

Continuidade nos planos

Lembranças que se tornam relíquias

Marcos detalhou o quarto repleto de memórias: presentes feitos à mão, cartas e o perfume que ela tanto gostava. Agora, ele carrega no dedo a aliança que pertenceu a Ana, símbolo de um compromisso que a morte não foi capaz de encerrar.

Apesar da revolta inevitável, o foco de Marcos permanece na honra. Ele assumiu o compromisso solene de dar continuidade aos planos e objetivos que os dois haviam traçado juntos, transformando o luto em combustível para realizar sonhos que agora carrega sozinho.

Para Marcos, manter viva a memória de Ana Paula significa personificar a imagem que ela tinha dele. Ele reforçou o desejo de ser “forte como ela dizia que ele era”, encarando essa busca por resiliência como o maior legado que pode cultivar em homenagem à parceira.

Loja onde a jovem foi morta. Fotos: Rodrigo Índio/Portal SelesNafes.com (SN)

Durante o sepultamento

Comunidade em oração

Ana Paula foi estrangulada até a morte na última segunda (9), na loja onde ela trabalhava. O criminoso, que já tinha sido condenado por matar outra mulher e estava foragido, foi preso após o crime. Cláudio “Coringa” Pacheco trocou o celular dela por seis pedras de crack.

O velório e o sepultamento em Santana foram marcados por balões brancos e um silêncio cortante, interrompido apenas pelo apoio mútuo entre aqueles que amavam Ana Paula. 

O depoimento de Marcos não é apenas um adeus; é um lembrete doloroso e inspirador de que, embora a violência possa interromper uma vida, ela é incapaz de apagar o rastro de luz e os “textinhos feitos à mão” de quem soube amar intensamente.

Seles Nafes
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