Por SELES NAFES, de Macapá (AP)
Passados dez dias da operação da Polícia Federal que abalou a política de Macapá, a população do Amapá continua esperando uma explicação para o “Escândalo do Mochilão”, episódio em que mais de R$ 400 mil foram sacados do Banco do Brasil e entregues ao motorista de Furlan no carro dele que estava sendo seguido pela Polícia Federal, na Operação Paroxismo.
A imagem é forte e simbólica. Quase meio milhão sacados pouco antes por Rodrigo Queiroz, dono da Santa Rita Engenharia.

Empresário vai recebendo o dinheiro no Banco e colocando no mochilão preto
O episódio ganhou enorme repercussão e se tornou um dos pontos centrais da investigação que culminou no afastamento do prefeito e de auxiliares durante a Operação Paroxismo no dia 4 de março. No dia seguinte, numa estratégia jurídica para tentar blindar o vice, ele renunciou e iniciou imediatamente uma campanha de vitimização.
Até aqui, os fatos são conhecidos e amplamente noticiados, inclusive em reportagens do Portal SelesNafes.Com. O que permanece desconhecida é a versão do próprio Furlan.

Carro chega em laboratório onde a mochila foi entregue ao motorista de Furlan. Fotos do monitoramento da PF
Desde a operação, o ex-prefeito gravou vídeos, fez declarações públicas e iniciou movimentos políticos de pré-campanha ao Governo do Estado. Nas gravações, ele fala de perseguição política, agradece apoiadores e tenta reconstruir sua narrativa pública. Mas há um detalhe incômodo: em nenhum desses vídeos ele explicou o “mochilão”.
Nenhuma palavra sobre os R$ 400 mil. Nenhuma explicação sobre a relação com o empresário que sacou o dinheiro. Nenhum esclarecimento sobre como a quantia foi parar dentro de um carro registrado em seu nome e conduzido por seu funcionário. A PF afirma que de R$ 10 milhões sacados em cerca de 1 ano em espécie, há indícios de R$ 3 milhões foram depositados aos poucos em contas de duas clínicas do casal Furlan.


R$ 3 milhões teriam sido depositados aos poucos nas contas das clínicas do casal. Foto: Rodrigo Índio/SN
Para quem ocupava o cargo mais importante da capital, o silêncio chama atenção.
Em democracias maduras, a lógica é simples: quanto maior o cargo público, maior o dever de explicação. Ainda mais quando há um episódio tão simbólico quanto um pacote de dinheiro vivo dentro de um veículo ligado ao prefeito.
A renúncia ao cargo pode até encerrar um capítulo administrativo, mas não encerra as perguntas da sociedade. O eleitor não esquece com facilidade imagens que parecem retiradas de um roteiro policial: dinheiro em espécie, mochila, motorista, carro do prefeito e um empresário ligado a contratos públicos.
Ignorar o assunto não o faz desaparecer.

