Por LEONARDO MELO, de Macapá (AP)
A Operação Abadom, deflagrada nesta terça-feira (31), identificou o guarda municipal de Marituba, no Pará, Pedro de Morais Santos Garcia, como um dos principais líderes de uma organização criminosa que atua no tráfico de drogas e lavagem de dinheiro na região Norte do país. Ele segue foragido. Além dele, a polícia também procura a esposa, Ana Paula Pinheiro de Sousa, apontada como participante ativa do esquema criminoso, principalmente na movimentação financeira da facção.
A investigação revelou a existência de uma organização estruturada, com forte atuação no Amapá e ramificações em outros estados. O grupo é apontado como um dos principais responsáveis pelo abastecimento de drogas no estado vizinho, com envio de cocaína e crack a partir do Pará.
Ao longo de três anos, Pedro teria movimentado cerca de R$ 40 milhões, utilizando contas em nome de familiares e terceiros para ocultar a origem do dinheiro. Segundo as investigações, o esquema criminoso utilizava uma logística organizada para distribuição de drogas, principalmente por rotas fluviais entre os estados da região Norte.

Foto divulgada pela Ficco nesta terça (31)
Para ocultar os lucros do tráfico, a facção usava empresas de fachada e uma rede de “laranjas”. Os valores eram movimentados por meio de depósitos fracionados, estratégia usada para dificultar o rastreamento pelos órgãos de controle financeiro. Parte do dinheiro ilícito era convertida na compra de imóveis e veículos de luxo.
As apurações também indicam que o principal investigado utilizava o cargo público como forma de proteção e para facilitar as atividades criminosas, chegando a demonstrar desprezo pelas instituições ao se beneficiar da posição na segurança pública.
Em nota, a Prefeitura de Marituba afirmou que não compactua com condutas ilegais. O município informou que, caso seja confirmada a participação do servidor em atividades criminosas, todas as medidas administrativas cabíveis serão adotadas imediatamente.
A gestão municipal também destacou que está à disposição das autoridades e que colabora integralmente com as investigações. A operação mobilizou forças de segurança em oito estados: Amapá, Pará, Roraima, Ceará, Rio Grande do Norte, São Paulo, Minas Gerais e Paraná. Ao todo, foram cumpridos 54 mandados de prisão preventiva e 64 de busca e apreensão, além de ordens judiciais para bloqueio de contas, sequestro de bens e suspensão de atividades de empresas.
A operação contou com a atuação integrada das polícias Civil, Militar e Penal, além da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (FICCO), com apoio de órgãos federais.
