Por HUMBERTO BAÍA E MARCELO SÁ GOMES, no Marajó (PA)
No coração do arquipélago do Marajó, no município de Chaves (PA), uma história de amor pela história da região vem ganhando destaque. O morador Avetaldo Rocha, conhecido como “Ave Amarela”, luta há mais de cinco anos para transformar um sonho pessoal em um projeto cultural: a criação de um museu natural e arqueológico. De origem humilde, Ave Amarela dedica boa parte de sua vida à coleta e preservação de objetos encontrados nas praias de Chaves. Entre os itens reunidos ao longo dos anos estão moedas antigas, punhais e até uma espada que, segundo indícios, podem remontar ao período do Brasil Império. O trabalho, realizado de forma independente e sem apoio institucional contínuo, revela um importante potencial histórico e cultural para a região.
Além dos artefatos históricos, sua coleção inclui um impressionante acervo de ossadas de animais. Em sua residência, ele mantém peças como crânios de búfalo, cabra e outros animais, além de um dos itens mais notáveis: o esqueleto completo de um cetáceo de grande porte identificado como espécime da subordem misticeto — uma baleia-sei (Balaenoptera borealis). O próprio Avetaldo levou 19 dias para remover, limpar e transportar os ossos até sua casa, demonstrando grande dedicação ao projeto.

Ave Amarela juntou, limpou e transportou todos os ossos para a sala de casa

Especialista identificou animal

Peças encontradas na praia ao longo dos anos…

….vários tipos de animais…

…formam a coleção
“Minha residência é frequentemente visitada por turistas vindos de toda parte do Brasil e até mesmo do exterior, e isso eu fico muito contente”, relata.
Especialista
O sonho de transformar o acervo em museu ganhou um novo capítulo recentemente. No último fim de semana, um especialista vindo do Ceará visitou o local para avaliar as condições das peças, especialmente dos esqueletos, e verificar a viabilidade de restauração e exposição. A visita trouxe novas perspectivas ao projeto.
“Estou impressionado com a qualidade e o estado de conservação da ossada da baleia. Com o apoio necessário, é possível fazer a montagem e a exposição”, afirmou Antônio Carlos Amâncio, biólogo e especialista em osteomontagem, reconhecido internacionalmente pela atuação na área. Ele também foi responsável por identificar corretamente a espécie de cetáceo, que antes era considerada uma “baleia-fin”.

…espada provavelmente da época do Império

…dando entrevista para equipe de TV

…e sempre servindo um cafezinho para os visitantes

Cidade de Chaves (PA)
Apesar das dificuldades, Ave Amarela conta com o apoio de moradores e admiradores, além da Associação Amapaense de Folclore e Cultura Popular e do Pontão de Cultura Rede Foliar, que reconhecem a importância do trabalho para a preservação da memória local e da biodiversidade.
A criação do museu em Chaves não representa apenas a realização de um sonho pessoal, mas também um potencial marco cultural e educativo para toda a região do arquipélago do Marajó. O acervo, construído com esforço próprio ao longo de anos, pode se tornar um importante espaço de conhecimento e valorização da história e da riqueza natural da Amazônia.

