Documentário revive madrugada de terror em naufrágio com relatos inéditos

Produção resgata memórias de sobreviventes e bastidores do resgate em uma das maiores tragédias fluviais da Amazônia que deixou 42 mortos
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Por RODRIGO ÍNDIO, de Macapá (AP)

Considerada uma das maiores tragédias fluviais da história recente da Amazônia, o naufrágio do navio Anna Karoline III ganha um registro histórico e documental de fôlego. O telefilme “Anna Karoline III: A história que o rio nunca esqueceu”, produzido pela Duas Telas Produtora Cultural em coprodução com a Nagib Produções, será lançado nesta sexta-feira (17), trazendo depoimentos inéditos e uma análise profunda sobre as causas e as consequências do desastre ocorrido em fevereiro de 2020. O documentário, com cerca de 50 minutos, adota a estética do “cinema verdade” para mergulhar nas memórias de quem viveu o pesadelo. A narrativa é costurada por relatos de sobreviventes, familiares das vítimas e profissionais que atuaram na linha de frente do resgate, como membros do Corpo de Bombeiros e da Polícia Científica. O filme também dá voz aos jornalistas que acompanharam o desenrolar das buscas e a complexa operação de reflutuação da embarcação.

Uma ferida aberta na Amazônia

O naufrágio aconteceu na madrugada de 29 de fevereiro de 2020, próximo à Boca do Rio Jari, durante o trajeto entre Santana (AP) e Santarém (PA). Com 93 pessoas a bordo, o navio submergiu em questão de segundos após enfrentar uma ventania. As investigações posteriores confirmaram que o excesso de peso e a adulteração da linha de carga (disco de Plimsoll) foram fatores decisivos para a instabilidade da embarcação. Ao todo, 42 vidas foram perdidas.

“Este filme retrata sofrimento, perdas e momentos de grande dor, mas é uma peça importante para a memória dessas tragédias”, afirma Thomé Azevedo, produtor do longa.

O documentário, com cerca de 50 minutos, adota a estética do “cinema verdade”

Tragédia ocorreu a caminho de Santarém

Investigações concluíram que houve excesso de carga

Para o diretor Marcelo Nobre, a obra vai além do luto.

“O filme busca provocar reflexão e conscientização sobre a importância de medidas preventivas e segurança em viagens fluviais para evitar novos acidentes”.

Lançamento e exibição

O projeto foi viabilizado por meio da Lei Paulo Gustavo, através de edital da Secretaria de Estado da Cultura do Amapá (Secult). O lançamento oficial ocorre nesta sexta-feira (17) com uma avant-première reservada no Cine Movieland, voltada exclusivamente para familiares das vítimas, autoridades e convidados que participaram da produção.

Interior do navio após o içamento

Para o público em geral, o documentário será disponibilizado gratuitamente no mesmo dia. A obra poderá ser acessada diretamente no canal oficial da Duas Telas Produtora Cultural no YouTube, permitindo que a sociedade conheça os detalhes de uma história que, como sugere o título, o rio e o povo amapaense jamais esqueceram.

Seles Nafes
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