Servidor investigado por crimes sexuais e acessar inquérito sigiloso é exonerado do MP

Apuração aponta possível consulta irregular a procedimento confidencial no sistema judicial
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Por ANDERSON MELO, de Macapá (AP)

Um servidor do Ministério Público do Amapá (MP-AP), investigado por uma série de crimes sexuais, foi exonerado do cargo após o avanço das investigações que apontam, além das denúncias, o possível acesso indevido a um inquérito sigiloso que apurava sua própria conduta.

De acordo com o MP-AP, o procedimento administrativo seguiu todos os trâmites legais, assegurando ao investigado o direito ao contraditório e à ampla defesa. Ao final das apurações, a comissão responsável concluiu pela procedência das acusações, recomendando a aplicação da penalidade máxima prevista no regime disciplinar.

O investigado, identificado como Gleidson Pereira Ramos, é suspeito de cometer crimes como assédio, importunação sexual e estupro contra pelo menos 11 colegas de trabalho. Ele é considerado foragido da Justiça.

De acordo com as apurações, o ex-servidor teria conseguido acessar um procedimento classificado no mais alto nível de sigilo dentro do sistema judicial. A suspeita é de que ele tenha tomado conhecimento antecipado do pedido de prisão preventiva, o que pode ter facilitado sua fuga antes do cumprimento do mandado.

Personalidade intimidadora levou vítimas a procurar proteção

As investigações indicam que o acesso ao conteúdo restrito pode ter ocorrido por meio de facilidades da função, uso de credenciais ou até mesmo com apoio de terceiros. Outro ponto que chama atenção é o fato de a defesa do investigado ter se habilitado rapidamente no processo, logo após o pedido de prisão.

O caso ganhou ainda mais gravidade diante da possibilidade de violação de sigilo funcional, o que pode gerar novas responsabilizações além das acusações criminais já existentes.

As vítimas relataram episódios de intimidação e procuraram as autoridades por medo do comportamento do suspeito. A Delegacia de Atendimento à Mulher (Deam) conseguiu medidas protetivas em favor das vítimas, mesmo sem vínculo doméstico ou familiar com o investigado, com base em entendimentos recentes da legislação.

Seles Nafes
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