STF vê indícios de destruição de provas e mantém vice de Furlan fora da prefeitura

Ministro aponta possibilidade de repetição de crimes como pagamentos suspeitos e desvios milionários na saúde pública para manter afastamento do vice-prefeito
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Por SELES NAFES, de Macapá (AP)

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu manter e ampliar o afastamento do vice-prefeito de Macapá, Mário Neto (Podemos), além da ex-secretária de Saúde Érica Aymoré, investigados por suposto esquema de desvio de recursos da construção do Hospital Municipal da Zona Norte. A decisão aponta risco concreto de interferência nas investigações e até indícios de tentativa de destruição de provas dentro da administração municipal.

“A dinâmica dos fatos indicia possível atuação orquestrada com o propósito de forçar um “apagão administrativo”. Essa conclusão, ainda que circunstancial à luz do quanto revelam os achados preliminares, tem especial significado cautelar, quando se recorda que a ordem de afastamento atingiu quatro agentes públicos perfeitamente identificados, dois deles integrantes do vértice da administração municipal– de onde, portanto, não se pode descartar tenha provindo o comando para que se deflagrasse uma tentativa aparente de frustrar a eficácia processual de medidas cautelares deferidas por esta relatoria”, comentou o ministro.

Segundo o STF, há elementos que indicam a existência de um possível esquema envolvendo mais de R$ 128 milhões em recursos oriundos de emendas parlamentares, destinados principalmente à construção do Hospital Municipal de Macapá. As suspeitas incluem fraudes em licitações, lavagem de dinheiro e uso da estrutura pública para viabilizar os desvios.

Tentativas de atrapalhar as investigações são citadas pela Polícia Federal e MPF no processo

Pagamentos suspeitos e movimentação atípica

Um dos pontos mais sensíveis da decisão envolve pagamentos considerados atípicos realizados no mesmo dia em que houve o afastamento do então prefeito Antônio Furlan (PSD), em 4 de março, e de integrantes da gestão. De acordo com os autos, mais de R$ 3,3 milhões foram liberados em poucas horas, sem autorização da gestão interina do presidente da Câmara, Pedro Dalua (União).

Os repasses incluíram valores a empresas de comunicação e construção, com indícios de irregularidades na execução e possível incompatibilidade entre serviços prestados e valores pagos.

Indícios de sabotagem e destruição de provas

O ministro também destacou relatos considerados graves após o afastamento dos gestores. Entre eles:

  • retirada de HDs de computadores do setor de licitações
  • invasão de departamentos estratégicos
  • queda de sistemas e corte de redes
  • desaparecimento de documentos
  • vazamento de informações sigilosas

Um dos computadores que teve o HD extraído na Macapaprev no dia seguinte ao afastamento de Furlan e do vice

Para o STF, esses episódios sugerem uma possível ação coordenada para dificultar o avanço das investigações, criando o que o próprio relator classificou como um possível “apagão administrativo” .

A decisão ressalta que a permanência dos investigados nos cargos poderia permitir acesso a sistemas, contratos e servidores, abrindo margem para manipulação de provas e intimidação de testemunhas. O risco é considerado suficiente para justificar a manutenção do afastamento cautelar .

Além disso, diligências ainda estão em andamento, incluindo a análise de dados bancários e o desbloqueio de celulares apreendidos — inclusive do próprio vice-prefeito.

Os investigados seguem proibidos de acessar prédios públicos, sistemas administrativos e bases de dados da prefeitura. O descumprimento das medidas pode levar à decretação de prisão preventiva.

O Supremo também autorizou acesso parcial dos investigados a documentos do processo, em respeito ao direito de defesa. 

Seles Nafes
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