Por RODRIGO ÍNDIO, de Macapá (AP)
A situação da Escola Municipal Raimundo Oliveira Alencar, localizada no bairro Buritizal, em Macapá, virou caso de emergência para pais, professores e funcionários. Durante o atual período de férias escolares, a unidade de ensino foi alvo de pelo menos três furtos, que agravaram um cenário que já era de extremo abandono.
Sem fiação elétrica, sem centrais de ar-condicionado funcionando e sem bebedouros, a comunidade escolar teme que as aulas de agosto não consigam ser retomadas no prédio principal.
Os relatos de quem vive o dia a dia da escola são alarmantes. Os criminosos aproveitaram o recesso escolar para levar o que restava da infraestrutura da unidade, incluindo toda a fiação elétrica.
“Três vezes só nesse período de férias. Levaram tudo, até as fiações elétricas, não tinha mais o que roubar da escola! Nem bebedouro tem para os alunos tomarem água. A escola está usando aquelas garrafas térmicas para colocar água para os alunos! Era o mínimo o bebedouro e não tem”, desabafa Ane Caroline dos Santos, mãe de um aluno do 1º ano do Ensino Fundamental.

Portas de salas e setores administrativos foram arrombadas durante a sequência de furtos registrada nas férias escolares. Fotos: reprodução

Centrais de ar-condicionado foram saqueadas, …

… deixando salas sem climatização para o retorno das aulas
De acordo com uma professora da instituição, que enviou um alerta em áudio no grupo de mensagens dos pais, a situação de descaso vinha se arrastando desde o início do ano letivo, em março. Ela relatou que os estudantes já enfrentavam salas sem climatização, uma vez que apenas duas salas do turno da manhã — a dela e a de outra professora — funcionavam com centrais de ar-condicionado antes do recesso, enquanto o restante da escola sofria com o calor.
A docente também expôs a grave falta de insumos básicos na unidade, revelando que os professores são obrigados a trabalhar “com a fé e a coragem”. Segundo ela, a escola não oferece nenhum suporte de material pedagógico, deixando os profissionais sem acesso a papel, folhas para atividades ou sequer o suporte para realizar fotocópias (xerox) para os alunos.
Além disso, a professora relembrou que as aulas começaram de forma improvisada no dia 30 de março apenas porque a ex-diretora tomou a frente para iniciar o ano letivo do jeito que estava, mesmo ciente de que a escola não tinha as condições mínimas de funcionamento, como a total ausência de bebedouros. O início das atividades já havia sido atrasado em decorrência de saques anteriores que a estrutura tinha sofrido.
Imagens feitas pela comunidade mostram o mato alto tomando conta dos pátios internos, mobiliários danificados, pichações e até um aviso fixado no portão de entrada alertando sobre as constantes invasões e depredações.

Armários das salas de aula foram violados e revirados pelos criminosos em busca de objetos de valor
Com a destruição da rede elétrica provocada pelos últimos roubos, professores e pais temem que os alunos precisem ser remanejados para um prédio anexo ou para salas em outros bairros, como o Congós, dificultando o transporte e o acesso das crianças.
Apesar de a escola ter recebido um novo diretor recentemente, a comunidade cobra uma postura mais firme do poder público.
“A imprensa está lá na escola todo o tempo, sai na televisão, mas atitude de solucionar o problema, nenhuma”, criticou a docente em seu desabafo, convocando os pais a cobrarem providências diretamente na Secretaria Municipal de Educação (Semed).

Os sucessivos furtos deixaram um cenário de destruição e aumentaram a preocupação de pais, professores e funcionários da escola

Botijão de gás da cozinha desapareceu, comprometendo ainda mais o funcionamento da unidade.
O Outro lado: O que diz a SEMED
Procurada para esclarecer as denúncias, a Secretaria Municipal de Educação de Macapá (SEMED) emitiu uma nota oficial detalhando as medidas que estão sendo tomadas para conter a crise na unidade.
Para combater a insegurança e proteger o patrimônio público, a pasta informou que já está adotando medidas imediatas para reforçar a proteção da escola. Entre as principais ações estão as tratativas para a contratação de vigilantes e a reativação do sistema de monitoramento eletrônico, passos considerados essenciais para garantir a segurança antes que novos equipamentos sejam instalados no local.
Paralelamente, a secretaria explicou que aguarda a conclusão das obras de um prédio anexo para viabilizar uma solução definitiva de infraestrutura. Assim que essa etapa for concluída, será feito o remanejamento temporário das turmas que hoje utilizam o prédio principal, permitindo que uma ampla reforma estrutural seja iniciada na sede da Escola Raimundo Oliveira Alencar com total segurança para os alunos e servidores.

Lâmpadas e bocais também foram furtados, agravando os danos causados à estrutura da escola
Por fim, a SEMED fez um balanço de sua atuação, ressaltando que está há apenas quatro meses na gestão da educação municipal e que encontrou uma rede com problemas estruturais graves e acumulados ao longo de muitos anos. A secretaria pontuou que as carências de professores já foram totalmente sanadas e argumentou que processos administrativos essenciais, como licitações e intervenções físicas de grande porte, exigem o cumprimento de prazos e etapas legais, o que impede que todos os problemas herdados sejam resolvidos de forma imediata.
