Por SELES NAFES, de Macapá (AP)
A Justiça Eleitoral rejeitou uma nova tentativa da coligação do candidato ao governo do Amapá Antônio Furlan (PSD) de remover do Portal SN a reportagem da Record que apontou uma suposta ligação dele com o crime organizado para obtenção de votos nas eleições municipais de 2024. O relator do processo no TRE, juiz Diego Moura, negou o ‘pedido de reconsideração’.
O magistrado já havia negado, no fim de semana, uma liminar para retirada urgente da publicação no Portal SelesNafes.Com e de outros veículos de comunicação. Diego Moura entendeu que o Portal SN apenas repercutiu a reportagem exibida nacionalmente pela Record. Inconformada, a coligação voltou ao TRE com um novo elemento: um vídeo gravado pelo delegado Estéfano Santos, apoiador declarado de Furlan, mas que é responsável pela delegacia que investiga o crime organizado (Draco).
No vídeo apresentado como nova prova, Estéfano explica que concedeu entrevista à Record para falar da atuação das organizações criminosas no Amapá, sem abordar os fatos político-eleitorais tratados pela reportagem. A coligação sustentou que o esclarecimento comprovaria o uso descontextualizado da imagem do delegado.

Delegado Estéfano, que investiga o crime organizado, declarou apoio ao candidato Furlan
Para o magistrado, Estéfano se limitou a falar na reportagem apenas sobre o crime organizado no Amapá, e que a inserção dessa declaração não significa que o delegado tenha confirmado as acusações direcionadas a Furlan pelo ex-candidato a vereador Luanderson Alves, o Caçula (PSD. Na semana passada, Caçula teve o diploma de suplente cassado pelo TRE exatamente pela ligação com a facção. Na reportagem da Record, Caçula cita a suposta relação do então prefeito com o grupo criminoso Família Terror do Amapá (FTA).
A decisão ressalta ainda que Estéfano não atribuiu nenhum fato ao candidato nem afirmou que ele tivesse ligação com organização criminosa. O juiz também analisou o esclarecimento posterior do delegado (no novo vídeo) de que não existem indícios contra Furlan nas investigações conduzidas pela divisão policial em que atua.
Mesmo assim, concluiu que essa declaração não é suficiente para demonstrar que a entrevista original tenha sido deturpada. O processo ainda será julgado em definitivo.
