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Um jovem professor, de apenas 21 anos, vai representar o Amapá na IV Feira Nacional de Matemática, que acontece em Santa Catarina, na semana que vem. O convite veio depois que ele apresentou o projeto da “etnomatematica”, um novo método didático encontrado para ensinar matemática aos alunos da Escola José Bonifácio, que fica na comunidade quilombola do Curiaú, em Macapá.

Fabrício de Souza dos Santos contou que o projeto surgiu com o intuito de aproximar os números da realidade dos jovens da comunidade. “Resolvi elaborar um projeto para tentar aproximar ao máximo a matemática da realidade dos jovens da comunidade. Como sou morador do Curiaú, fiz uma pesquisa de campo para saber de que forma poderia planejar minhas aulas”, contou.

Fabrício consegue aproximar a matemática da realidade dos quilombolas

Fabrício consegue aproximar a matemática da realidade dos quilombolas. Fotos: Agência Amapá

O projeto, que foi desenvolvido em parceria com Bruna Rocha, estudante de Engenharia Ambiental da Universidade Estadual do Amapá (UEAP), e orientação do professor de matemática do Instituto Federal do Amapá (IFAP), André Luiz Ferreira, foi apresentado em uma feira estadual realizada pelo IFAP em maio deste ano. Na oportunidade todo o processo de estudo da matemática através da produção de farinha foi explicado aos docentes, o que rendeu a inscrição do projeto na feira nacional. Esse evento reúne métodos inovadores do ensino da matemática, aplicados em todo o Brasil.

“Depois de muito observar, percebi que a única forma de integrar a matemática à cultura do quilombo, era ensiná-la com base na realidade local. Foi então que escolhi como objeto de estudo as casas de farinha, muito tradicionais na cultura do Curiaú. Através dessa cultura artesanal, pude aplicar as regras da matemática na plantação da mandioca, área plantada, volume do forno, quantidade de lenha e pressão no acabamento do processo”, explicou o jovem professor.

A casa de farinha também entrou nas contas

A casa de farinha também entrou nas contas

Os idealizadores do projeto viajam na próxima segunda-feira, 13, para a cidade de Jaraguá do Sul, em Santa Catarina, onde acontecerá a feira nos dias 15, 16 e 17 de julho. Para a comunidade da Escola José Bonifácio, o reconhecimento é motivo de orgulho.

“O Fabrício estudou as séries iniciais na escola e faz parte da nossa história. Estamos na torcida e esperamos que ele traga, além da medalha, a referência de um povo que passa o conhecimento de geração para geração”, contou entusiasmada a diretora da escola, Odilene Leite de Lemos.

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