Deputado é investigado por receber propinas de empresa

Empresa recebia dinheiro do SUS para combate ao coronavírus e teria sido favorecida em contratação
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Por RODRIGO ÍNDIO

O deputado estadual Dr. Alberto Negrão (PP) voltou a ser alvo de uma operação da Polícia Federal, nesta quinta-feira (7), que desta vez cumpriu 11 mandados de busca e apreensão na Operação Ômega.

A operação de hoje é um desdobramento da Operação Terça-Parte, que em maio deste ano também cumpriu mandados para investigar um suposto esquema de rachadinhas no gabinete do deputado Alberto Negrão, que também é médico.

Os mandados da Operação Ômega foram cumpridos em Macapá e Santana. Apesar de a PF não divulgar nomes, a Assembleia Legislativa do Amapá confirmou, em nota pública, que a PF esteve exclusivamente no gabinete de Negrão, deixando claro que a atual gestão da Alap não é investigada. 

A PF suspeita que o deputado estaria usando sua influência política para facilitar a contração irregular uma empresa que obtinha verbas do SUS destinadas especificamente ao combate do coronavírus. O valor total dos contratos chega à R$ 15 milhões nos últimos 3 anos.

Além do deputado, um servidor da Secretaria de Saúde do Estado, com foro privilegiado, estaria entre os investigados, mas o delegado do caso, Hiroshi Sakak, disse que a investigação é sigilosa e não poderia revelar mais detalhes. Vários cargos em secretarias de Estado possuem prerrogativa de foro, como os secretários-adjuntos.

Deputado Alberto Negrão não precisa mais se recolher a noite. Foto: Alap

Delegado Hiroshi Sakak. Foto: Rodrigo Índio/SN

“É um objeto novo sendo investigado. Os indícios são de que uma empresa tenha sido favorecida e, em troca, tinha dado vantagens indevidas para o deputado, o qual também usava de sua influência para favorecer a empresa”, afirmou o delegado na manhã desta quinta-feira.

O deputado Alberto Negrão ainda não se posicionou publicamente sobre o assunto. Em maio, a justiça eleitoral chegou a determinar o afastamento dele do mandato, mas a ordem foi rejeitada pelo plenário da Assembleia Legislativa. Na primeira operação, a Terça-Parte, a PF também solicitou a prisão do parlamentar, o que foi negado pelo TRE.

Seles Nafes
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