Por SELES NAFES, de Macapá (AP)
Mais do que “anseio público” como alegado ou estratégia de vitimização e engajamento nas redes sociais, a renúncia de Antônio Furlan (PSD) ao cargo de prefeito de Macapá é vista como uma tentativa de pavimentar caminho jurídico para o retorno do vice-prefeito e ex-secretário de Finanças, Mário Neto, também afastado a pedido da Polícia Federal. Ou seja, o que representaria a volta do mesmo grupo político ao Palácio Laurindo Banha.
Ao afastar o vice, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), também tirou de cena, por 60 dias, a pessoa responsável pelos pagamentos à Santa Rita Engenharia, empresa contratada por R$ 70 milhões para construir o prédio do Hospital Municipal, alvo de duas fases da Operação Paroxismo.
Os investigadores apontam indícios de que a empresa de Rodrigo Queiroz e Fabrízio Gonçalves teve acesso a informações sigilosas que a colocaram em vantagem em uma licitação de cartas marcadas, na qual as concorrentes eram empresas sem lastro para construir um hospital.
Ao renunciar ao cargo, a defesa de Furlan espera, primeiro, baixar o processo do STF para a vara local da Justiça Federal, já que não existe mais ninguém com foro privilegiado sendo investigado.

PF cumpriu 13 mandados ontem contra o prefeito e o vice que acumulava o cargo de secretário de Finanças
Outra ideia é criar um cenário favorável ao argumento de que as razões para o afastamento cautelar não existem mais, já que o principal investigado (o agora ex-prefeito) não está mais no cargo e não tem acesso a sistemas e documentos, o que poderia facilitar a destruição de provas e a obstrução da investigação.
Na tarde desta quinta (5), o prefeito em exercício, Pedro Dalua (União), anunciou a nomeação de Harlan Aguiar como novo secretário de Finanças, no lugar de Mário Neto.
