Por SELES NAFES, de Macapá (AP)
A Procuradoria da República no Amapá divulgou uma nota pública de apoio à procuradora regional eleitoral Sarah Cavalcanti, alvo de ataques classificados como misóginos após questionamentos dela relacionados ao adiamento do julgamento do recurso que pode tornar inelegível o ex-prefeito de Macapá Antônio Furlan (PSD). Ainda ontem, o Ministério Público Eleitoral protocolou um novo pedido para ter acesso ao atestado médico apresentado pela advogada Amanda Figueiredo, manobra no processo que fez o TRE adiar o julgamento mesmo após determinação do CNJ para que seja analisado pela corte. Contudo, documento que permanece sob sigilo.
Durante o julgamento, a procuradora reclamou da condição de sigilo ao atestado de 10 dias e deixou claro que esse prazo somado a um possível pedido de vistas de algum magistrado pode tirar o resultado prático de uma possível condenação. Segundo o Ministério Público Eleitoral, apesar de já ter solicitado anteriormente acesso ao documento, até o momento o pedido não foi atendido.
Na nota divulgada nesta segunda-feira, a Procuradoria da República no Amapá afirma que Sarah Cavalcanti vem conduzindo a atuação do Ministério Público Eleitoral “com competência, comprometimento e elevado senso de responsabilidade” e repudia os ataques direcionados à procuradora por aliados do ex-prefeito, entre eles um jornal que já vinha sendo investigado num processo que apura abuso de poder econômico durante as eleições de 2024.
O MPF também criticou o que classificou como “recortes e interpretações descontextualizados de manifestações institucionais”, afirmando que esse tipo de conduta é incompatível com um debate público responsável. Segundo a instituição, essas iniciativas buscam deslegitimar a atuação técnica, independente e imparcial do Ministério Público, além de atingir a independência funcional garantida constitucionalmente aos seus membros.
A manifestação ocorre dias após a procuradora ter questionado, durante sessão do TRE-AP, o sigilo imposto ao atestado médico apresentado pela advogada do ex-prefeito Antônio Furlan para justificar o pedido de adiamento do julgamento. Na ocasião, Sarah Cavalcanti afirmou que o Ministério Público sequer teve acesso ao documento e informou ter requerido oficialmente a quebra do sigilo para analisar a fundamentação do pedido.
Encerrando a nota, a Procuradoria da República reafirmou que não se intimidará diante de tentativas de constrangimento ou de deslegitimação de sua atuação institucional.
