Por PEDRO PESSOA, de Belém (PA)
Mesmo após a mobilização de diferentes órgãos públicos, a cidadã de Serra Leoa, Fatmata Sessai, continua vivendo nas dependências do Aeroporto Internacional de Belém. Há quase 8 meses, ela dorme no terminal enquanto aguarda uma solução para conseguir deixar o Brasil e retomar a viagem.
Nesta semana, a reportagem voltou ao aeroporto e encontrou Fatmata no mesmo espaço onde permanece desde o início do ano. O local, que antes abrigava apenas algumas malas, agora reúne ainda mais roupas, bolsas e objetos pessoais. Segundo a migrante, representantes de órgãos públicos estiveram no aeroporto para tentar resolver a situação, mas, até o momento, ela segue sem uma definição.
Fatmata afirmou que o impedimento para seguir viagem está relacionado à falta do visto necessário para entrar no país de destino. Ela também confirmou que recebeu uma oferta de acolhimento em uma casa de apoio disponibilizada pela Prefeitura de Belém, mas preferiu permanecer no aeroporto enquanto aguarda uma solução definitiva para o caso.

Migrante recusou acolhimento e decidiu permanecer no terminal até resolver a situação. Fotos: Pedro Pessoa
Quando o caso ganhou repercussão, o Ministério Público Federal (MPF) informou que havia instaurado um procedimento para acompanhar a situação. Na ocasião, a Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão expediu ofícios ao Núcleo de Operações Aéreas (NOA), à Polícia Civil e à Secretaria de Estado de Justiça (Seju) para levantar informações sobre as providências adotadas em relação à migrante.
Na época, o MPF também solicitou à Secretaria de Estado de Assistência Social, Trabalho, Emprego e Renda (Seaster) e à Fundação Papa João XXIII (Funpapa) que realizassem abordagem social e adotassem medidas para garantir acolhimento provisório em local adequado e seguro. O órgão ainda requisitou informações à Defensoria Pública da União (DPU) sobre as medidas jurídicas relacionadas ao caso.

Novo passaporte foi emitido, mas a viagem ainda depende de visto e exigências sanitárias
Em reportagens anteriores, a Funpapa informou que acompanhava Fatmata desde dezembro de 2025, disponibilizou um cartão para transporte público e garantiu acesso ao Restaurante Popular e ao Espaço Acolher, onde ela podia utilizar serviços como alimentação, banho e lavanderia. O órgão também informou, na ocasião, que a migrante recusou o encaminhamento para uma unidade de acolhimento.
Também na época, a Defensoria Pública da União informou que a Polícia Federal havia emitido um novo passaporte para a estrangeira. No entanto, antes de deixar o Brasil, ela ainda precisaria providenciar o visto e cumprir as exigências sanitárias, incluindo a atualização das vacinas exigidas pelo país de destino.
