Por JORGE ABREU, especial para o portal SN
Os traços nos rostos de Alefe Davi, de 14 anos, não negam as suas raízes do Amapá. Este mesmo rosto carrega a história de um campeão, com uma carreira promissora pela frente. Ele se mudou do Norte para o Sul, onde começou a lutar jiu-jitsu e virou uma promessa no esporte.
Davi, como é mais conhecido, levou medalha de ouro na categoria teen até 50 kg, no campeonato Abu Dhabi Jiu-jitsu Pro (AJP) Tour São José dos Pinhais, na região metropolitana de Curitiba, no fim de semana passado. Mas suas vitórias não param por aí.
Ele, com pouco mais de um ano de experiência no esporte, também foi ouro na Copa Colombo e no Top Fight (1×1 luta casada). Também fez história no Circuito Paranaense, onde conquistou duas pratas, uma na categoria no No-Gi (sem quimono), e três bronzes.
Com o ouro na etapa do AJP em São José dos Pinhais, Davi agora se prepara para uma seletiva no dia 1º de novembro em Gramado, no Rio Grande do Sul, onde pode conquistar uma vaga no campeonato mundial em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos.

Com pouco mais de um ano de tatame, Alefe Davi já acumula ouros, pratas e bronzes em competições no Sul. Imagens: divulgação
Antes disso, o atual faixa amarela volta a competir no Circuito Paranaense de No-Gi, no dia 3 de outubro, e no Open Internacional, em Curitiba, no dia 18 do próximo mês. Para essas lutas, ele treina pesado na academia Gracie Barra, no município de Fazenda Rio Grande, no Paraná.
“Eu vejo meu futuro sendo campeão mundial. Quero participar desses campeonatos grandes, como a ADCC [Abu Dhabi Combat Club]”, disse Davi sobre o maior campeonato do mundo de luta agarrada. “Meu sonho é lutar nesses grandes eventos.”
Sangue de lutador
Davi é de uma família de lutadores que fez história no Amapá. O seu bisavô era o mestre André Santiago, pioneiro das artes marciais no estado, fundador da Federação Amapaense de Judô (FAJ) e ex-árbitro da Confederação Brasileira de Judô (CBJ).
O mestre André (8º DAN de judô faixa coral) é uma inspiração para o bisneto. Ele morreu de infarto aos 75 anos, em Fazenda Rio Grande, em 2021, poucos anos depois que a família inteira se mudou para o município da região metropolitana de Curitiba. O corpo foi transladado ao Amapá.

Bisneto do mestre André, pioneiro das artes marciais no Amapá, Alefe Davi mantém tradição da família nas lutas
O pai de Davi, também de nome André, é 1º DAN de judô faixa preta. No Amapá, conhecido como Andrezinho, participou de competições e, ao lado do seu avô e mestre, trabalhou em academias de luta e em outros projetos esportivos.
“É muito gratificante seguir na luta. Eu me inspiro muito no meu pai e no meu bisavô. São minhas maiores inspirações. Eu venho de uma família de judô, jiu-jitsu e MMA. Está no sangue”, relatou Davi, com uma mistura do jeito amapaense de falar com o sotaque típico do Sul.
Patrocínio
Seguir a carreira de atleta necessita o financiamento de custos como das inscrições de campeonatos e das viagens (passagens, alimentação e hospedagens). O notável amapaense do jiu-jitsu hoje conta com alguns poucos patrocinadores, sendo a maioria de apoio da família.

Aos 14 anos, Alefe Davi mira vaga no Mundial de Jiu-Jitsu em Dubai
“Identificamos o interesse do Davi pela luta, era algo que já vinha na veia, tanto do bisavô, quanto pai, então resolvemos apoiar”, destacou o empresário Jhemisson Cortes, tio do lutador. Ele e a esposa também cuidam das redes sociais do sobrinho.
Com o decorrer do crescimento no esporte, Davi deve competir em eventos por todo o Brasil e em outros países e vai precisar aumentar o número de patrocinadores. Os interessados em apoiar podem entrar em contato pelo e-mail:
