De Macapá (AP)
Esperança no coração, emoções à flor da pele e o desejo simples de ter um lar. É assim que vive hoje Ana Maria Moraes, de 10 anos, acolhida há dois anos na Associação Casa da Hospitalidade, em Santana. A menina participa do projeto “Eu Acredito no Amor: um caminho para a adoção”, criado para aproximar crianças acolhidas de famílias prontas para adotar.
A iniciativa, conduzida pela Vara da Infância e Juventude do município, tenta encurtar distâncias entre quem espera por uma família e quem tem disposição para oferecer afeto, cuidado e estabilidade. O foco principal são crianças maiores, que muitas vezes permanecem mais tempo nas instituições.

Menina acolhida há dois anos em Santana sonha com uma família e um lar cheio de afeto. Fotos:Jean Gabriel/Tjap/Divulgação
Ana Maria segue sua rotina como qualquer outra menina da sua idade. Estuda o 5º ano na Escola Amazonas, gosta especialmente de matemática e se anima com as aulas de educação física. No futuro, sonha cursar Medicina para poder cuidar das pessoas.
Fora da sala de aula, encontra alegria na dança e nas músicas de K-pop, sobre as quais fala com brilho nos olhos. Mesmo tímida, deixa escapar um sorriso largo quando imagina como seria viver em uma casa cheia de carinho.
“Meu sonho é ter uma família, uma casa, pais amorosos, irmãos e um quarto que seja meu, com amor. Tenho certeza de que serei adotada”, diz, com a confiança típica de quem ainda acredita que o amor encontra caminho.

Entre escola, dança e planos para o futuro, Ana Maria mantém viva a esperança de ser adotada

Projeto incentiva a adoção de crianças maiores, que costumam esperar mais tempo
Na Casa da Hospitalidade, crianças e adolescentes dividem espaço com idosos e pessoas que também precisam de cuidado. Além da escola, participam de esportes, atividades aquáticas, dança e ações de apadrinhamento — tentativas de tornar a rotina mais leve enquanto o lar definitivo não chega.
Muitas dessas crianças foram afastadas das famílias por situações difíceis e direitos violados. Por isso, iniciativas que incentivam a adoção ganham importância. Enquanto o futuro não chega, Ana Maria segue cultivando sonhos, dançando, estudando e mantendo firme a certeza de que, em algum lugar, existe uma família pronta para chamá-la de filha.
