Por SELES NAFES, de Macapá
A coordenação da campanha do candidato ao governo do Amapá Antônio Furlan (PSD) avaliou internamente como um erro de estratégia a decisão de processar e pedir o afastamento do comandante do Bope, tenente-coronel Wilkson Santana, além do comandante-geral da Polícia Militar e do secretário de Segurança Pública, Cézar Vieira, de operações relacionadas às eleições. Segundo fontes ouvidas pelo Portal SN, a repercussão negativa do pedido nas redes sociais causou estragos e uma crise interna na campanha do ex-prefeito.
A representação foi protocolada no TRE do Amapá no último domingo (20) e também alcança outros integrantes das forças de segurança. A coligação de Furlan alega falta de imparcialidade e aponta manifestações políticas atribuídas a alguns dos agentes. O pedido é para que eles sejam afastados do planejamento e da execução de operações diretamente relacionadas ao processo eleitoral. A Justiça Eleitoral ainda não decidiu sobre a solicitação.
A ofensiva ocorre em meio à preocupação com o crescimento das facções criminosas com tentativas de infiltração no poder público. O tema também domina a campanha, com o crescente aumento de popularidade das forças policiais que combatem o crime organizado.
Há cerca de duas semanas, uma reportagem exibida nacionalmente pela Record apresentou trechos de um depoimento de Luanderson de Oliveira Alves, o Caçula (PSD), no qual ele fez acusações sobre uma suposta negociação envolvendo Furlan e integrantes da Família Terror do Amapá (FTA) durante as eleições municipais de 2024. Furlan nega qualquer envolvimento com organizações criminosas.

Equipe do Bope do Amapá: ofensiva jurídica contra delegados e comandantes causou estragos. Foto: Arquivo/Portal SN

2024: Caçula à direita

Gravou um vídeo para uma possível delação premiada
Em agosto, o TRE cassou o diploma do suplente de vereador e o declarou inelegível por oito anos. A corte reconheceu abuso de poder econômico e concluiu que a candidatura dele, em 2024, foi beneficiada pela estrutura e pelo domínio territorial da FTA em áreas de Macapá.
Após a reportagem da Record, Furlan e sua coligação recorreram à Justiça contra a emissora e veículos que repercutiram o conteúdo. Agora, a nova frente jurídica atingiu diretamente integrantes da Segurança Pública que participam de operações de combate ao crime organizado e da segurança das eleições.
O Portal SN apurou com fontes da campanha que Furlan foi alertado sobre o possível desgaste de incluir integrantes das forças de segurança na empreitada jurídica, especialmente o comandante do Bope, unidade que atua diretamente em operações de enfrentamento a grupos criminosos. Apesar disso, o candidato teria autorizado o ajuizamento da representação.
Após avaliar que houve estragos, coordenadores da campanha e lideranças do marketing do ex-prefeito se recolheram para uma longa reunião de avaliação e planejamento. O objetivo foi definir conteúdos que pudessem desviar a atenção do público para outros temas.
