Compartilhamentos

Existem profissões que nascem e desaparecem com o tempo. Entretanto, existem aquelas que sobrevivem pela dedicação e desafiam a modernidade. Neste Dia do Trabalhador, SelesNafes.Com destacou dois profissionais difíceis de serem encontrados. São os sapateiros e os amoladores de faca. Pois é, eles ainda estão em plena atividade e tem muitos clientes.

Historicamente a profissão de sapateiro sobreviveu sendo passada de pai para filho. Antigamente os sapateiros, além de consertar sapatos, tinham também que fabricá-los. Hoje em dia ainda existe quem procure o artesão de mãos sábias que faz renascer algo que para nós parece estar muito velho ou acabado.

Marlúcio diz que muitas pessoas deixam o sapato na oficina e não voltam para buscar

Marlúcio diz que muitas pessoas deixam o sapato na oficina e não voltam para buscar

“Eu quase não faço sapatos, mas conserto cerca de 15 por dia. Principalmente calçados de mulheres. Posso dizer que devido a precariedade das nossas ruas e calçadas tenho sorte de viver disso e ser sempre solicitado”, comentou Marlúcio Pinheiro, de 38 anos, sapateiro há 8 anos. Ele também tenta transmitir o oficio ao filho.

Quem olha de fora pode pensar que o trabalho é fácil. Entretanto, o sapateiro acorda 5 horas da manhã, sai de casa e chega a loja no Mercado Central às 6 horas. Verifica o material de trabalho: tesoura, linha, agulha, cola, martelo e às vezes tinta. Se tudo está dentro dos conformes, é hora de abrir a pequena oficina.

“O sapateiro precisa gostar do que faz, porque como diz a sabedoria popular, é ingrata a profissão de sapateiro. O artista mete as mãos onde os outros colocam os pés”, destacou Marlúcio, que sente a queda na demanda de trabalho ao longo dos anos.

Segundo ele, a industrialização e o consumismo aumentaram a procura por sapatos nas lojas. Isso acabou reduzindo a reutilização dos calçados recauchutados. Muitas pessoas deixam calçados na oficina de Marlúcio e nunca mais retornam. Quando isso acontece, o sapateiro conserta e doa para os mais necessitados.

Amolador

Outra profissão em extinção é o oficio de amolador de alicates, facas e tesouras. No centro de Macapá existem apenas seis profissionais desse ramo. As manicures são clientes certas desses trabalhadores. “Eu procurei muito para achar um. Além disso, tem pessoas que amolam e o alicate não presta mais”, reclamou a manicure Milena Costa.

Rosivaldo Pereira amola 30 alicates e tesouras por dia

Rosivaldo Pereira amola 30 alicates e tesouras por dia

“Tem uma técnica específica. Se amolar errado o alicate não funciona mais ou reduz o tempo de utilidade. O segredo é ter paciência e conhecer o trabalho. É importante uma boa iluminação e concentração. Tudo isso reflete na qualidade do trabalho final”, garantiu Rosivaldo Pereira da Silva, de 44 anos, amolador há 10 anos.

De acordo com Rosivaldo, em média ele amola 30 alicates ou tesouras por dia. Cada um com um tempo de dedicação que gira em torno de 15 minutos. O preço gira em torno de R$ 8 a R$ 15, dependendo da situação do alicate ou da tesoura. Dificilmente ele é procurado para amolar facas.

Compartilhamentos