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O fim da pororoca e salinização do Rio Araguari, denunciados por surfistas e ribeirinhos, serão investigados por uma equipe de pesquisadores coordenados pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema). Os cientistas vão para a região no próximo dia 20. Segundo os primeiros estudos, a criação de búfalos na região criou novas rotas de entrada da água do mar e saída do rio.

Os pesquisadores vão investigar os principais fatores que teriam alterado as rotas hidrográficas da região, proporcionado o desaparecimento da pororoca. As primeiras análises apontam que o Canal do Atlântico, que trazia águas do mar e provocava a pororoca na foz do rio Araguari, fechou. Esse processo de sedimentação foi causado naturalmente pelas correntes marítimas. Mas pode ter ganhado mais força com a criação de búfalos.

O fim da pororoca foi denunciado por surfistas, que hoje também sumiram

O fim da pororoca foi denunciado por surfistas, que tiveram que procurar outras regiões para dar continuidade ao esporte no Amapá

“De forma mais específica, percebemos que a criação de búfalos na região evidenciou novas rotas para o mar entrar no continente. Onde o gado anda vai se abrindo canais, sendo que esse é um processo que já dura décadas. Isso tudo foi acelerado pelas mudanças climáticas e o derretimento das geleiras no ártico”, explicou o técnico da Sema, Grayton Toledo.

A fim da pororoca no Araguari não é apenas uma preocupação turística. Com o fechamento de um canal e abertura de outro, vem a grande problemática nisso tudo: a salinização da água doce. De acordo com técnicos do Instituto de Estudos e Pesquisas do Amapá (Iepa), o município de Cutias do Araguari já sofre diretamente com a salinização da água. Uma pesquisa divulgada em maio do ano passado pelo Instituto, revela que existem riachos e igarapés que já possuem 83% de água salgada.

A criação de búfalos há décadas na região do Araguari pode ter contribuído com o fim da pororoca

A criação de búfalos há décadas na região do Araguari pode ter contribuído com o fim da pororoca. Foto: incra.gov.br

“Foram mapeados mais de 270 usuários de água, que vão desde o pequeno agricultor, que irriga suas produções, até as hidrelétricas. Afinal, todo e qualquer uso do recurso hídrico pode contribuir para sedimentação ou dinâmica do rio”, apontou Marcelo Creão, secretario de Meio Ambiente, que acredita ainda ser cedo para confirmar o fim do pororoca.

Mesmo com os estudos, o foco é criar medidas emergenciais para minimizar as modificações do rio. Uma das alternativas seria a recomposição da mata ciliar, mas apenas um estudo aprofundando dará o direcionamento correto.

O fenômeno da pororoca dava-se quando o Rio Araguari encontrava as águas do Oceano Atlântico, criando uma onda que percorria mais de dez quilômetros. O último registro do fenômeno ocorreu em 2013.

A pesquisa envolve profissionais do Instituto do Meio Ambiente e de Ordenamento Territorial do Estado do Amapá (Imap), Agência Nacional de Águas (ANA) e Sema.

 

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