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Humberto Baía, de Oiapoque –

Moradores da comunidade de Vila Velha do Cassiporé, a 140 quilômetros da sede do município de Oiapoque, comemoram o fim do isolamento. É que até pouco tempo o acesso à localidade só era possível através de barco pelo Rio Cassiporé em um dia inteiro de viagem. Agora, com o ramal aberto pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), o trajeto de carro dura no máximo 2 horas.

A comunidade é um assentamento e grande produtora de melancia e cacau nativo. Devido à distância e a longa viagem pelo rio, boa parte dessa produção era perdida ainda no campo. Hoje os agricultores já sonham até em aumentar a área plantada, já que o ramal vai proporcionar o escoamento da produção com segurança até Oiapoque e outras cidades ao longo da BR-156, inclusive Macapá.

A criançada reunida observando as máquinas abrindo o caminho para elas. Fotos: Humberto Baía

A criançada reunida observando as máquinas abrindo o caminho para elas. Fotos: Humberto Baía

“Com certeza nossa vida vai mudar. Poderemos escoar toda nossa produção sem correr o risco de perder os produtos, e ainda teremos preços melhores”, afirmou o agricultor Valter da Silva, que mora na comunidade há mais de 30 anos.

Uma empresa já se colocou a disposição para comprar a produção de cacau nativo de Vila Velha, mas existem alguns empecilhos de ordem burocrática a serem superados. O maior gargalo nesse caso, é que a maioria do cacau nativo fica dentro do Parque Nacional do Cabo Orange. Isso vai demandar acordos com órgãos governamentais e não-governamentais, que tentam implementar políticas de desenvolvimento na região e impedem a exploração do fruto.

Seu Bené, com os filhos, mostra um dos tanques onde cria tartarugas e tracajás

Seu Bené, com os filhos, mostra um dos tanques onde cria tartarugas e tracajás

Hoje a área do parque vem sendo objeto de estudo para o desenvolvimento de atividade turística, principalmente nas comunidades de Cassiporé e Cunani. Algumas propriedades já foram catalogadas para servir como parâmetro para o projeto de ecoturismo.

Uma dessas propriedades é a do seu Benedito Lima, conhecido como Bené, que mantém, com apoio do Instituto Chico Mendes (Icmbio), uma criação de tartarugas e tracajás. Ele já devolveu ao Rio Cassiporé mais de 5 mil animais em cinco anos de projeto. Juliana, de 10 anos, filha do seu Bené, quer ser bióloga para ajudar o pai a manejar os animais e devolvê-los para a natureza.

A viagem pelo Rio Cassiporé dura um dia inteiro

A viagem pelo Rio Cassiporé dura um dia inteiro

 

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