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ANDRÉ SILVA

Um artista plástico amapaense renomado em todo país também participa de exposição coletiva “Revoada das Cores”, que começou na quinta-feira, 10, no Amapá Garden Shopping. Ralfe Braga decidiu aos 17 anos ir embora para Brasília, em busca do sonho de ser artista. Agora ele volta à Macapá para participar da segunda exposição no estado.

Ralfe começou a fazer os primeiros rabiscos ainda criança. Conta que lembra pouco dessa época, mas reconhece que o sonho sempre foi esse, fazer desenhos. Ele brinca com o nome. Diz que não sabe até hoje de onde o pai tirou e inspiração para a escolha. Hoje, suas obras ocupam mais de três quilômetros de paredes do Estádio Mané Garrincha, no Distrito Federal (DF).

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Obras de Ralfe Braga são conhecidas internacionalmente. Imagens: divulgação

“As pessoas lá em Brasília pensam que sou cearense por conta do nome. Em outros países, que sou francês, mas sou nascido e criado aqui nessa terra tucuju, na Linha do Equador”, diz orgulhoso.

Ralfe é artista conhecido mundialmente. As obras dele já estão expostas em muitas paredes estrangeiras e brasileiras também. Já participou de 12 exposições, a maioria individual.

Quando chegou no DF, foi trabalhar em uma agência de publicidade e propaganda. O artista diz que parece que havia chegado ao paraíso. Isso porque o pai nunca teve condições de comprar materiais de trabalho para ele, como lápis, tinta e pincel.

Artista é pioneiro no estado em usar a computação gráfica em obras de arte

Artista é pioneiro no estado em usar a computação gráfica em obras de arte

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O “fine arte”, combina tecnologia e trabalho manual na produção de telas

Ele conviveu com R. Peixe, mas não foi ele e nem o amigo e também artista J. Sales (que emprestava e comprava materiais para ele soltar a sua criatividade), que o impediu de sair daqui e procurar novos ares e perseguir seu sonho.

“Muito difícil para meu pai, que era funcionário público, fazer a vontade de nove filhos. Quando ele comprava uma caixa de lápis de cor eu cuidava dela como se fosse minha própria vida. Então quando cheguei naquele estúdio e vi aquela quantidade de material de primeira: tinta, lápis, caneta nanquim, canetas importadas, prancheta, estava em um paraíso. Naquele lugar eu aprendi muito”, recorda o artista.

Braga lembra que a ajuda de profissionais mais experientes foi o diferencial em sua carreira. Em pouco tempo, os proprietários da produtora em que trabalhava viram seu potencial, e logo ele foi ganhando espaço dentro da empresa e galgando degraus mais altos.

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Trabalhando em agência de publicidade em Brasília, Ralfe Braga diz que aprendeu muito

Do lápis e pincel para o digital foi um pulo. Ralfe é o primeiro artista plástico do Amapá a trabalhar com o ‘fine arte’ (estilo que utiliza a computação gráfica para criar pinturas), ele faz uso da tecnologia para produzir suas telas. Sorri quando questionado se a mudança foi muito difícil.

“Eu já tinha uma pegada artística muito forte paralela a propaganda e com as duas de vez em quando se misturando. Em determinado momento, quando surgiu a fase digital que veio junto com a computação gráfica e os pc’s, os primeiros computadores, isso deu uma guinada muito grande no meu trabalho. Se com pincel e lápis eu andava 60 km/h, com a computação eu fui para 200 km/h”, brinca.

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O artista avalia que não tem um estilo fechado e que suas obras falam de diferentes temáticas

Ele se considera muito aberto para o novo e diz que isso foi fundamental para aprender a trabalhar com a ferramenta de fine art. Ralfe Braga continua morando no Distrito Federal.  

A exposição Revoada das Cores marcou o lançamento da galeria virtual Arteamazon.com, que reúne fotógrafos, desenhistas e artistas plástico, no Amapá Garden Shopping até o dia 13 de dezembro.

Natural de Macapá, Ralfe Braga reside atualmente no Distrito Federal

Natural de Macapá, Ralfe Braga reside atualmente no Distrito Federal

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