Por ANDERSON MELO, de Macapá (AP)
O julgamento durou quase 15 horas e terminou com a condenação de cinco réus pelo Tribunal do Júri de Santana pela morte de Vitória Camile da Silva, de 15 anos, assassinada em 2017. O Conselho de Sentença acolheu integralmente a tese do Ministério Público do Amapá e considerou todos os envolvidos culpados por homicídio com quatro qualificadoras, incluindo feminicídio, além do crime de corrupção de menores.
A acusação foi sustentada pelo promotor de justiça David Zerbini, e a sentença foi proferida pelo juiz Julle Anderson Mota, que determinou o cumprimento imediato das penas em regime inicialmente fechado.
O júri reconheceu que o crime foi praticado por razões da condição de sexo feminino, com motivo torpe, meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima, caracterizado pela emboscada e pela superioridade numérica dos envolvidos.
Segundo a investigação, Vitória foi morta para ser silenciada após presenciar uma tentativa de homicídio envolvendo um dos mandantes. O crime também teria sido motivado por promessa de recompensa financeira aos executores, incluindo dinheiro e aparelhos celulares.
Dannilson Borges Torres foi condenado a 26 anos, 6 meses e 20 dias de reclusão. Janaína Baia dos Santos recebeu pena de 20 anos e 7 meses. Jéssica Torres foi condenada a 23 anos e 4 meses. Hileny dos Anjos Araújo também foi condenada a 23 anos e 4 meses. José Aderlindo Mendes Carvalho recebeu pena de 23 anos e 4 meses de reclusão.
As penas devem ser cumpridas inicialmente em regime fechado. No caso de Jéssica, foi autorizado o cumprimento provisório em regime domiciliar por ela ser cadeirante. De acordo com os autos, o casal José Aderlindo e Hileny atuou como mandante do crime, encomendando a execução para os demais envolvidos, entre eles uma adolescente. O caso ganhou grande repercussão à época pela violência empregada e pela idade da vítima.
Na época do crime, familiares relataram que a adolescente “sabia demais”, indicando que ela tinha conhecimento de situações ligadas a crimes na região, o que reforçou a linha investigativa de que a motivação estava ligada à tentativa de impedir que ela revelasse informações.
O crime ocorreu em setembro de 2017. O corpo da adolescente foi encontrado em uma área de matagal na Vila Amazonas, em Santana, após ela desaparecer ao sair de casa para visitar a avó. O caso mobilizou a comunidade e familiares que aguardaram por quase dez anos pela conclusão do julgamento.
