Mobilização de aliados e estudantes ajudam Lula a virar eleição no Amapá

Presidente reeleito conquistou eleitores de outros candidatos, intensificou presença nas redes sociais e se beneficiou de erros estratégicos da campanha de Flávio Bolsonaro
Compartilhamentos

Por SELES NAFES, de Macapá (AP)

O que começou como uma disputa praticamente empatada terminou com uma vitória confortável de Lula (PT) sobre Flávio Bolsonaro no Amapá. Depois de vencer o primeiro turno por uma diferença mínima de 45,71% contra 45,67%, o presidente reeleito ampliou sua votação para 52,88%, enquanto o adversário ficou com 47,12%. Em números absolutos, Lula conquistou 222.968 votos, contra 198.674 do candidato derrotado, uma diferença de 24.294 votos. A virada política revela a capacidade do petista de atrair eleitores de outras candidaturas e aproveitar fragilidades da campanha bolsonarista.

A reação de Lula não aconteceu por acaso. No Amapá, a mobilização ganhou intensidade a partir do movimento estudantil da Universidade Federal do Amapá (Unifap), com o apoio do senador Randolfe Rodrigues e do deputado federal Dorinaldo Malafaia (PDT). A campanha também ampliou sua presença nas redes sociais, território em que o bolsonarismo tradicionalmente demonstrou força. O resultado sugere que a combinação de mobilização presencial, articulação política e comunicação digital ajudou a conquistar parte do eleitorado que não havia escolhido Lula no primeiro turno.

Do outro lado, Flávio Bolsonaro pagou o preço de uma campanha distante do eleitor amapaense. O candidato não visitou o estado nenhuma vez durante a disputa, nem havia feito viagens ao Amapá antes do período eleitoral. A ausência física, somada a erros de estratégia, abriu espaço para o crescimento do adversário, especialmente nos municípios do interior. Embora não seja possível atribuir a derrota exclusivamente a esses fatores, o contraste entre a mobilização local dos aliados de Lula e o distanciamento do candidato bolsonarista ajuda a explicar o resultado.

O mapa eleitoral mostra que a força de Lula esteve principalmente no interior. O petista venceu em 14 dos 16 municípios, com vantagens expressivas em Mazagão, onde alcançou 64,76% dos votos, praticamente o dobro dos 35,24% de Flávio. Em Vitória do Jari, a diferença foi ainda maior: 67,61% contra 32,39%. Lula também obteve resultados expressivos em Oiapoque (63,77%), Amapá (63,38%), Cutias (60,12%) e Pracuúba (59,68%). A distribuição geográfica dos votos demonstra que o interior foi decisivo para consolidar a vantagem estadual.

Na capital

Mobilização nas ruas ganhou força nos últimos dias…

Ato com Randolfe e Dorinaldo na reta final

A capital também apresentou uma mudança importante. Flávio havia vencido o primeiro turno em Macapá, com 47,16%, contra 43,30% de Lula, mas o petista conseguiu inverter o resultado no segundo turno, terminando com aproximadamente 51% dos votos válidos.
O bolsonarista manteve a liderança apenas em Santana, onde obteve 51,79%, e Serra do Navio, com 59,82%. A perda da vantagem na capital, combinada com o crescimento de Lula no interior, reduziu significativamente a capacidade de reação da candidatura do PL.

A comparação entre os dois turnos revela outro dado importante: Lula ganhou 10.465 votos, enquanto Flávio Bolsonaro perdeu 13.604. Ou seja, a ampliação da vantagem petista ocorreu tanto pelo crescimento de sua votação quanto pelo encolhimento do adversário.

Compartilhamentos
Insira suas palavras de pesquisa e pressione Enter.
erro: Conteúdo Protegido!!