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O senador José Sarney (PMDB-AP) conseguiu uma proeza. Depois de ficar distante de todas as articulações entre a Câmara e o Governo para a aprovação da PEC 111, o ex-presidente, e pré-candidato ao 4º mandato, conseguiu ser incluído como relator da matéria no Senado. A votação pode ocorrer já nos próximos dias, mas primeiro Sarney terá que entrar para a Comissão de Constituição e Justiça, da qual ele não faz parte. Observadores avaliam que a manobra é uma tentativa do senador para sobreviver politicamente.

A PEC 111 permite a transferência para os quadros da União de funcionários públicos que prestavam serviços nos territórios federais de Roraima e Amapá, entre outubro de 1989 e outubro de 1993. No caso do Amapá, a PEC beneficia 4 mil servidores das prefeituras de Macapá, Amapá, Calçoene, Macapá, e Mazagão, além de policiais civis.

Bancada no dia da votação da PEC 111. Sarney distante.

Bancada no dia da votação da PEC 111. Sarney distante.

A proposta é de autoria da deputada federal Dalva Figueiredo (PT-AP), e foi aprovada em 2º turno no último dia 23 na Câmara dos Deputados por um placar histórico: 357 votos a 1, com 1 abstenção. Houve uma intensa negociação das bancadas com o governo federal para que o texto não fosse aprovado. Sarney não participou de nenhuma das articulações.

Atrás nas pesquisas que aferem a corrida pelo Senado, o ex-presidente iniciou uma manobra que espantou até os políticos mais experientes. Como a PEC precisa ser aprovada também em dois turnos no Senado, Sarney ligou para o então relator Romero Jucá (PMDB-RR) e pediu a relatoria. “Você me deve isso”, teria dito Sarney por telefone, lembrando que nomeou Romero Jucá governador do Território Federal de Roraima em 1988 quando ele (Sarney) era presidente da República.

Bancadas do AP e de RR juntas pela PEC 111

Bancadas do AP e de RR juntas pela PEC 111

Romero Jucá não teve outra alternativa se não entregar a relatoria a Sarney. “Tomará que ele também não peça a minha vaga”, ironizou o senador Pedro Simon (PMDB-RS). Simon referia-se ao fato de fazer parte da CCJ, comissão para a qual Sarney precisará entrar se quiser mesmo ser o relator.

Ao entregar a relatoria a Sarney, Romero Jucá pode ter sacrificado o próprio filho que é candidato a vice-governador de Roraima nas eleições de outubro, mas pelo menos estará quite. 

 

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