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O Pronto Atendimento Infantil (PAI) virou um inferno na manhã desta terça-feira, 15. Era tanta gente que os poucos médicos e enfermeiros de plantão resolveram mandar de volta pra casa ou procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS) os casos de menor gravidade. Só estavam atendendo urgência e emergência.

O PAI não tem estrutura para atender a demanda de 230 a 300 crianças todos os dias. Para se ter uma ideia da situação, tem leito sendo divido por duas ou até três crianças. Hoje a capacidade de internação do hospital é de 22 pacientes, mas existem 62 crianças internadas, a maioria está no corredor.

Imagem cedida por familiares

Imagem cedida por familiares

Os profissionais do hospital dizem que as crianças que dividem o mesmo leito correm o risco de contrair outras doenças e piorar o seu quadro clínico.  “Temos casos de crianças que chegam aqui com uma virose e vão piorando a cada dia. É muita criança no mesmo espaço”, comentou uma enfermeira que não quis se identificar.

A Secretaria de Saúde se defende afirmando que a situação piora porque a população vai direto ao Pronto Atendimento, quando deveria procurar uma Unidade Básica de Saúde.  “Fomos informados pelo município que existem pediatras para atender essas crianças nas UBS. Mas a população procura logo o PAI sobrecarregando o atendimento”, argumentou o secretário adjunto de Atenção à Saúde, Denilson Magalhães.

Secretário Adjunto de Atenção à Saúde - Denilson Magalhães

Secretário Adjunto de Atenção à Saúde – Denilson Magalhães

Alguns pais rebatem a orientação do secretário. “Não tem nada nas unidades de saúde. Não tem remédio, médico, cadeira pra gente sentar. Como querem que eu deixe a minha filha lá, se não tem nada”, reclamou a dona de casa, Aldenice Freitas, que estava acompanhado a filha e o neto no PAI.

O secretário admite a superlotação e afirma ter conhecimento que existem crianças dividindo o mesmo leito. “Como vamos dar um atendimento digno se não temos estrutura pra isso”, ponderou  Denilson Magalhães. Ele disse que a demanda do PAI só deve diminuir em novembro, quando metade das obras do Hospital da Criança será concluída.

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