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Os funcionários não sabem mais o que fazer para impedir as fugas no Centro de Internação Masculina (Cesein), onde ficam apreendidos os adolescentes que cometem crimes, ou, como diz o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), “atos infracionais”. Na fuga mais recente, ocorrida da última segunda-feira, 14, oito menores escaparam, entre eles o adolescente acusado de matar uma estudante com um tiro na cabeça. O crime aconteceu em Laranjal do Jari em fevereiro.

O Cesein fica no Bairro Beirol, Zona Sul de Macapá. Como sempre os internos cerraram as grades e conseguiram pular os muros do centro, que hoje conta com apenas uma guarita ativada por plantão. Uma realidade que mostra a fragilidade da segurança no local.

Os problemas vem sendo expostos pelos servidores desde o início de 2014, quando sistemáticas fugas foram registradas. “Hoje, toda a defasagem da profissão nos impede de garantir um maior controle sobre os internos. Somos ameaçados e sofremos com as péssimas condições de trabalho, o que acaba aumentando a fragilidade do centro”, contou o presidente do Sindicato do Grupo Sócio-Educativo e de Proteção (Singsep), Higor Pereira.

No dia da prisão, Neguinho da Balada disse que não ficaria muito tempo no Cesein. Foto: Jair Zemberg/Arquivo

No dia da prisão, Neguinho da Balada disse que não ficaria muito tempo no Cesein. Foto: Jair Zemberg/Arquivo

Segundo a categoria, as fugas são facilitadas principalmente pela falta de servidores. “Em um ambiente favorável deveríamos ter 15 agentes por plantão, mas temos no máximo 7 agentes por turno para conter cerca de 80 internos”, contabilizou o presidente do Sindicato.

Entre os menores que fugiram na segunda-feira, está o adolescente conhecido como “Neguinho da Balada”, que foi preso no dia 12 de março como autor do crime que vitimou a namorada, Oriane Rodrigues, morta com um tiro na cabeça, após uma briga provocada por ciúmes.

Na ocasião, ele ironizou sua prisão afirmando que seria fácil fugir novamente. Só em 2015 essa foi a segunda fuga do menor, que já tinha sido apreendido no início do ano suspeito de vários assaltos.

Como os servidores nada podem fazer sobre a situação, a categoria se organizou e está montando novamente um ofício com diferentes pautas que devem ser entregues à direção da Fundação da Criança (Fcria), responsável pelos centro de internação de Macapá. Atualmente há pelo menos 50 menores foragidos da casa de custódia.

Reportagem: Anderson Calandrini

 

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