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CÁSSIA LIMA

Camylle Silva: falso diagnóstico de reumatismo

Camylle Silva, de 13 anos, descobriu que tem leucemia, depois de ter sido inicialmente diagnosticada em Macapá, com reumatismo. A jovem foi transferida para São Paulo, onde segue em uma batalha pela vida. A mãe da menina, Odineia Rodrigues, aguarda pela retomada do pagamento do Programa de Tratamento Fora de Domicílio (TFD), que, segundo ela, deixou de ser repassado em maio de 2016.

“A gente envia a documentação, mas não pode fazer muita coisa daqui. Meu filho continua tentando. Quem está aqui só tem tempo para cuidar do filho doente. É uma falta de respeito e humanidade. Crianças morrem aqui e os funcionários do TFD não dão a mínima”, desabafou Odineia.

A Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) prometeu averiguar a situação de Camylle, mas adiantou que apenas ficam sem receber o benefício do TFD pacientes que não apresentam laudos que comprovem a permanência em tratamento.

Camylle conta que levava uma vida normal em Macapá, até meados do segundo semestre de 2015, quando começou a sentir dores nas pernas e os pés incharam. Além disso, era visível o sinal de palidez, segundo ela.

“Meu pai marcou consulta e o médico me disse que era reumatismo, mas, na virada do ano, eu não conseguia andar. Fui parar no hospital. Depois de exames, nos falaram que a suspeita era câncer”, lembrou a jovem, que ainda está em tratamento em São Paulo.

Mãe de Camylle, Odineia Rodrigues Foto: Arquivo Pessoal

Na capital paulista, Camylle conta que foi encaminhada para o tratamento com quimioterapia. Após semanas, o braço dela inchou, porque o medicamento havia vazado e não estava mais entrando na veia, mas direto no corpo.

A solução encontrada pelos médicos foi o uso de um cateter. O tubo especial foi inserido numa veia maior para facilitar o tratamento quimioterápico venoso. Mas veio outro problema, uma infecção.

“O cateter ficava próximo do meu pescoço. E não tinha muita proteção. Da infecção veio a bactéria generalizada, fiquei na UTI e fui desenganada pelos médicos”, contou a adolescente.

Camylle não lembra, mas durante a internação, ela sofreu três paradas cardíacas e os médicos disseram que devido aos riscos, ela poderia morrer.

“Foi um grande desespero. A gente orava cada vez mais, mas a realidade era cruel”, lembra a mãe da menina, Odineia Rodrigues.

Mão e filha vivem contando com a ajuda de doações em São Paulo, assim como outras famílias amapaenses que estão lá. “Muitos pais se encontram nessa situação”, diz Odineia.

“Hoje não tenho nenhum real no bolso, mas, graças a Deus, minha filha recebeu doação dos voluntários”, reforçou a mãe, que pede atenção do TFD para tentar receber os auxílios, que, somados – paciente e acompanhante – chegam a R$ 600 mensais.

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