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A família de Josenilce Conceição Silva, de 35 anos, carinhosamente chamada de “Pipita”, ainda tenta entender o que aconteceu. Na sexta-feira, dia 6, quando o corpo dela foi sepultado em Laranjal do Jari, o sentimento era de tristeza, mas também de surpresa e revolta.

Pipita foi assassinada na última quarta-feira (4), em frente a um supermercado, localizado no centro de Laranjal do Jari. O motivo teria sido ciúmes. Segundo testemunhas, Jucilei desceu do carro com a faca em punho quando viu Pipita na companhia do namorado. Foram oito facadas, a maioria atingiu a região do tórax.

Pipita era extremamente popular na cidade e estava casada há oito anos com Jucilei da Silva Oliveira, de 27 anos. Ela morava no bairro Agreste em residência própria, ao lado da casa dos pais. Filha de uma família com sete irmãos, apesar de casada não tinha filhos.

Pipita militava na política há muitos anos. Desde o início de 2011 dirigia o Imap no Jari

Pipita militava na política há muitos anos. Desde o início de 2011 dirigia o Imap no Jari

Amigos e populares contam que “Pipita” era o esteio da família. Sempre militou na política chegando a se filiar ao PDT e ao PT. Atualmente era militante do PSB, legenda que a indiciou para ocupar cargo de gerente regional do Instituto do Meio Ambiente e Ordenamento Territorial do Amapá (Imap) no Jari desde o início de 2011.

Ela e Jucilei estavam separados há 10 meses e ele não aceitava a separação. Devido à influência política de Pipita, o ex-marido também conseguia ocupar cargos e contratos administrativos em instituições públicas locais, entre elas o Super Fácil e Detran do município.

No momento que foi surpreendida com a agressão do ex-marido, Josenilce estava acompanhada do novo namorado, com quem já se relacionava há cerca de quatro meses. Testemunhas contam que a fúria e agilidade do ex-marido foram tamanhas que o namorado nada pôde fazer para defender a vítima. Ele também ficou ferido.

Revolta Popular

O corpo de Pipita foi transladado num caminhão do Corpo de Bombeiros até o cemitério de Laranjal do JariPipita

O corpo de Pipita foi transladado num caminhão do Corpo de Bombeiros até o cemitério de Laranjal do JariPipita

Como Juciclei Oliveira se apresentou à Delegacia de Polícia, após o crime, tem residência própria e é réu primário, ele poderia ser solto na tarde de quinta-feira (5). Um grupo composto por cerca de 200 mulheres se reuniram em frente a Delegacia do município para exigir a permanência do preso no local.

Com gritos de justiça, amigos e familiares da vítima fecharam a rua por cerca de 2 horas. Na tentativa de impedir que o ex-marido fosse solto.

As famílias das pessoas envolvidas no caso estão abaladas. Como a vítima era muito conhecida por ser uma liderança política no município, a comoção por parte de grupos de associações de mulheres, políticos e religiosos, ainda é muito grande.

Na página dela no Facebook, no dia 28 de dezembro do ano passado, ela postou uma foto da atriz Daniela Peres, que naquele mesmo dia estava completando 20 anos de assassinada num crime que o Brasil todo acompanhou. Ela escreveu: “A vaidade, inveja e o ciúme foram o grande pivô de um crime contra Daniela Perez, que hoje completa 20 anos desse crime brutal…”. Assim como ao atriz, Josenilce Conceição é mais um número da estatística da violência contra a mulher. Pipita está fazendo falta no Jari.

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