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O açaí é um dos principais alimentos de boa parte dos habitantes da Amazônia por ser, além de saboroso, muito rico em fibras, um excelente energético, e possuir alto teor de potássio, além de ajudar no funcionamento do intestino. Porém, o alto preço tem provocado mudanças nos hábitos do amapaense. Só que mais que um alimento predileto, o açaí carrega consigo uma herança que simboliza o vigor do homem da Amazônia.

Nutricionista Amandha Furtado: "O açaí é A Refeição!"

Nutricionista Amandha Furtado: “O açaí é A Refeição!”

Os nutricionistas defendem o consumo frequente do açaí por várias razões, uma delas é o combate a placas de gordura nas artérias, aumento da defesa do sistema imunológico, a riqueza em cálcio, fósforo e ainda sua atuação na prevenção de câncer. “O açaí na Região Norte é a refeição”, afirma a nutricionista Amandha Furtado.

Durante 11 anos, a Universidade Federal do Pará realizou um estudo na cidade de Igarapé-Mirim, conhecida como a capital mundial do açaí, e constatou que os moradores de lá possuem ótimos níveis de colesterol, devido a um princípio ativo encontrado na fruta.

A entressafra do produto, que costuma acabar em março, dispara o preço a partir dos açaizais e, numa cadeia que passa pelo atravessador, chega a peso de ouro nas áreas portuárias. A saca atingiu na semana passada os R$ 300 em Santana e R$ 280 em Macapá. O litro pode ser encontrado por até R$ 25.

"Bolsa de Valores" do açaí em Santana. Sacou chegou a R$ 300

“Bolsa de Valores” do açaí em Santana. Sacou chegou a R$ 300

De acordo com o doutor João Freitas, especialista em sistemas agroflorestais e no cultivo do açaí, um dos motivos do alto preço do produto é a falta do apanhador, o homem que faz a coleta do fruto no açaizeiro. “Outro ponto importante é o período de chuva. Quanto mais chuva no campo, menor é a colheita, a produção diminui porque o ritmo de coleta é lento”, explica.

 

Simbologia

Hoje o açaí está na moda. Deixou de ser um produto só consumido na Amazônia para virar produto de exportação. Por isso é essencial o investimento em pesquisas que possam aumentar a produtividade mesmo durante a estação das chuvas. “O que acontece atualmente é que existem áreas de ocorrência natural da espécie e que os moradores transformam em mono cultivos”, destaca Freitas.

Com o aumento do preço do açaí como ficam as famílias que não vivem sem o produto? Esse é o dilema na casa de dona Maria Silva, que reside no município de Ferreira Gomes. A filha Priscila, de seis anos, não faz refeição alguma se não tiver o açaí na mesa. “Outro dia ela não jantou porque não tinha açaí. Antes o dinheiro sempre dava, mas está muito caro pra quem é pobre”, queixa-se ela.

Psicólogo Nazir Rachid: "Quando esse produto falta na mesa da população é como se não houvesse alimento adequado, e o açaí entrou na mesa da população justamente pelo seu baixo custo”.

Psicólogo Nazir Rachid: “Quando esse produto falta na mesa da população é como se não houvesse alimento adequado, e o açaí entrou na mesa da população justamente pelo seu baixo custo”.

O psicólogo Nazir Rachid explica que o açaí representa a força para amazônicos. “O açaí foi por anos a principal refeição de moradores da região amazônica, e quando esse produto falta na mesa da população é como se não houvesse alimento adequado para eles, e o açaí entrou na mesa da população pelo seu baixo custo”, lembra.

Ele conta que quando o produto fica mais caro que o preço da carne há uma inversão de valores, gerando um choque no conceito alimentar, um drama que as escolas poderiam ajudar a combater ensinando novos hábitos alimentares também ricos em vitaminas e propriedades de prevenção de doenças, mas sem esquecer a cultura.

 

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