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Protesto, apagão e muita confusão marcaram o último debate entre os candidatos à reitoria da Universidade Federal do Amapá (Unifap), nesta segunda-feira, 12. O anfiteatro da instituição que comporta 350 pessoas ficou lotado por acadêmicos, técnicos e professores. Estudantes exigiram que os candidatos assinassem um documento se comprometendo a não criar novos cursos na instituição até que a falta de estrutura dos cursos existentes fosse resolvida.

Documento assinado por todos os candidatos

Documento assinado por todos os candidatos

Tudo estava ocorrendo normalmente até fim do primeiro bloco de debates, quando a falta de energia que atingiu o bairro Universidade deixou o anfiteatro tumultuado. Acadêmicos insatisfeitos com o modelo de debate entraram com cartazes e gritos de ordem exigindo que os cinco candidatos assinassem o documento se comprometendo a não criar novos cursos. “O motivo da manifestação é o descontentamento dos estudantes quanto à situação que a universidade se encontra hoje. Cinco novos cursos entraram e não tinham nem sala de aula. Se falta o mínimo, então os candidatos têm que se comprometer em não inchar ainda mais a universidade. Outra coisa é sobre o modelo de debate. Que debate é esse onde não temos direito de pegar o microfone e perguntar? Mas o nossos votos eles querem”, reclamou a estudante de história Claudiane Araújo.

Claudiane Araújo

Claudiane Araújo

Com a pressão da comunidade estudantil, os candidatos assinaram, ainda no escuro, o documento se comprometendo a não criar novos cursos até resolverem a situação dos cursos antigos. Um grupo de universitários se reuniu com a Comissão de Consulta Prévia (CCP) e ficou decidido que as perguntas seriam diretas, e não mais por bilhetes. Enquanto os estudantes comemoravam a assinatura do compromisso pelos candidatos a energia voltou, mas as reivindicações continuaram. “Assim como os estudantes, nós técnicos queremos falar. Conversa entre candidatos não é debate. Hoje estamos em greve não só com o Governo Federal, mas também pela falta de gestão que essa universidade enfrenta. Queremos propostas estruturais”, declarou o técnico da Unifap, Walter Silveira.

 Walter Silveira

Walter Silveira

Apesar dos problemas, o debate entre os candidatos foi considerado um marco para os professores. “Esse debate foi único porque a comunidade estudantil procurou exercer o direito de falar e ser ouvida, isso é fundamental quando se discute o rumo de uma instituição. Os candidatos falam de autoritarismo e democracia, mas consentiram com o modelo de debate. Os estudantes só mostraram que aqui quem decide somos nós”, afirmou o professor do curso de ciências sociais, Manoel Ricardo.

Manoel Ricardo

Manoel Ricardo

Os estudantes reclamaram do pouco tempo de campanha dos candidatos e das propostas debatidas. “Infelizmente tivemos pouco tempo para analisar as chapas, ter acesso aos candidatos e suas propostas, principalmente nós alunos da noite. O que vemos são bandeiras e panfletos que sujam a universidade e só revelam a postura dos candidatos”, explanou a acadêmica de jornalismo, Jheni Quaresma. Opinião contrária tem o acadêmico Yuri Silva. “Eu tenho certeza que os candidatos têm se esforçado bastante para tentar esse contato com os discentes, mas acredito que existe uma postura de três candidatos que não passam essa segurança necessária para os alunos”.

Yuri Silva

Yuri Silva

O debate abordou a atual estrutura da universidade, o modelo de gestão e a politica do governo federal do Reuni. “O debate não contempla todas as categorias. Eu percebo que essa fala dos candidatos não atende à demanda eficaz de projeto, pesquisa e extensão que move a universidade. As propostas dos candidatos devem apontar o que vamos fazer para estruturar a Unifap hoje, e pra mim isso não está claro”, disse o professor de antropologia, Tadeu Lopes, de 29 anos, que foi aluno da Unifap.

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A eleição para a reitoria da Unifap está marcada para quinta-feira, 15, das 9 às 21 horas. Cinco sessões eleitorais funcionarão no Campus do Marco Zero do Equador, outras quatro em Santana, Mazagão, Laranjal do Jarí e Oiapoque. O mandato é valido por quatro anos. Os candidatos são: Cláudia Chelala, Eliane Superti, Júlio Sá, Antônio Filocreão, Ricardo Ângelo Pereira.

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