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Os outros dois jovens que dizem ter sido obrigados a pular no Rio Amazonas na madrugada desta quinta-feira, 15, (eles não querem fotografados) acusam pelo menos oito policiais de tortura e agressão. A Polícia Militar do Amapá divulgou que já instaurou inquérito para investigar as denúncias contra os policiais que podem ser expulsos da corporação, se for comprovada a participação direta deles na morte de Marlon dos Santos, de 23 anos.

Eles contam que estavam num grupo de cinco amigos que bebia na frente de um posto de gasolina, no Pacoval, em Macapá. Por volta de uma hora da manhã, foram abordados por uma guarnição da Polícia Militar. Dois deles eram menores de idade e foram logo liberados, mas os três maiores foram levados para orla do Perpetuo Socorro. Marlon não sabia nadar morreu afogado, e os irmãos Nadson Diego Pantoja Cardoso, de 22 anos, e Jackson Emerson, de 23 anos, sobreviveram.

Um dos rapazes mostra as marcas das agressões

Um dos rapazes mostra as marcas das agressões

Nenhum dos jovens envolvidos no caso tem passagem pela polícia. “Não entendemos porque nos levaram a um galpão lá na esquina da Pedro Américo e nos bateram muito. Rasgaram nossos shorts com canivetes. Bateram com cassetetes e deram choque. E ainda gritavam que nós íamos morrer”, contou Nadson Pantoja, que é dançarino.

O pedreiro Jackson Pantoja explicou como foram jogados no rio. “Eles pisavam na nossa cara. E nessa hora apareceram mais viaturas. Uns oito policiais nos bateram e depois nos jogaram no rio. O Marlon ficou desesperado porque não sabia nadar. Ficamos na água e os policiais foram embora”.

"Rasgavam nossos shorts com canivetes, davam choque"

“Rasgavam nossos shorts com canivetes, davam choque”

A PM se pronunciou sobre caso e declarou que se caso o abuso for constatado, os policiais poderão ser expulsos da corporação. “As vitimas alegam que eram quatro viaturas e aproximadamente 12 policiais. Se caso for comprovada a participação deles a Corregedoria da PM vai instaurar um inquérito e expulsar esses policiais da corporação”, enfatizou o tenente Emerson Real, da Divisão de Comunicação da Polícia Militar.

A família de Marlon dos Santos está indignada com a violência que os rapazes sofreram. “Mataram meu irmão por pura maldade. Ele trabalhava e não devia nada a ninguém”, disse o irmão da vítima, Magno dos Santos. “Meu sobrinho era um rapaz trabalhador. Isso não vai ficar impune. Vamos até o fim com esse caso, afinal ele foi morto por quem deveria protegê-lo”, afirmou a tia de Marlon, Marinete da Graça.

Tenente Emerson Real: "se for comprovada culpa poderão ser expulsos"

Tenente Emerson Real: “se for comprovada culpa poderão ser expulsos

O caso ainda precisa ser muito bem investigado porque existem informações desencontradas. Segundo os rapazes a abordagem dos policiais ocorreu por volta de uma da manhã desta quinta-feira, mas no sistema da PM está registrada uma ligação referente ao caso às 23 horas de quarta-feira.

 

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